Coronavírus

São Paulo SP enviará CoronaVac à Saúde, mas vai reter 25% 'a que tem direito'

SP enviará CoronaVac à Saúde, mas vai reter 25% 'a que tem direito'

Das 6 milhões de doses disponibilizadas ao Ministério da Saúde, 1,5 milhão ficam no estado, seguindo proporção populacional

  • São Paulo | Do R7

Governo paulista vai enviar doses da CoronaVac ao Ministério da Saúde

Governo paulista vai enviar doses da CoronaVac ao Ministério da Saúde

Willy Kurniawan/Reuters - 14.01.2021

O governo de São Paulo começará, na segunda-feira (18), a entrega das doses da vacina CoronaVac, produzidas pelo Instituto Butantan, ao Ministério da Saúde para a imunização dos brasileiros contra a covid-19. Ao todo são 6 milhões de doses disponíveis, sendo que 1,5 milhão delas se destinam ao estado de São Paulo. 

"Seis milhões de doses da vacina estão prontas e disponíveis para a vacinação", disse o governador João Doria em entrevista coletiva nesta sexta-feira (15). "São Paulo faz parte do Brasil, logo nós temos uma parcela entre 20% e 25% que é a parcela que cabe proporcionalmente à população. Não faz sentido encaminhar vacinas ao Ministério da Saúde para depois o MInistério da Sáude mandar de volta para São Paulo", completou. 

De acordo com o governo, 4,5 milhões de doses prontas para aplicação serão encaminhadas para um Centro de Distribuição e Logística do Ministério da Saúde, no Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional de Guarulhos.

“As doses entregues ao Ministério da Saúde serão destinadas para todos os estados brasileiros e o Distrito Federal. Vamos aguardar que neste domingo [17] a Anvisa autorize o uso emergencial da Vacina do Butantan, assim como esperamos que o faça também para a vacina AstraZeneca. O governo de São Paulo torce, pede e recomenda, dentro do seu limite, que a Anvisa e o Ministério da Saúde adotem vacinas, não só a vacina do Butantan, não apenas a vacina da Fiocruz, mas também outras vacinas diante do quadro gravíssimo de saúde pública no país”, afirmou o governador João Doria (PSDB).

Doria lembrou que o governo estadual adotou, em maio de 2020, as medidas contratuais para oferecer uma vacina segura, eficaz e disponível. "São Paulo agiu em defesa da vida, da saúde e da proteção de todos", complementou o governador.

As doses deverão ser utilizadas após a aprovação da Anvisa. O Butantan já dispõe de 10,8 milhões de doses da vacina em solo brasileiro. No final de março, a carga total de imunizantes disponibilizados pelo instituto é estimada em 46 milhões de doses.

Eficácia

A vacina do Butantan contra o coronavírus obteve 50,38% de eficácia global no estudo clínico desenvolvido no Brasil, além de proteção de 78% em casos leves e 100% contra casos moderados e graves da COVID-19. Todos os índices são superiores ao patamar de 50% exigido pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Os resultados foram submetidos a um comitê internacional independente e já estão com a Anvisa, que analisa o pedido de uso emergencial do imunizante no Brasil. A pesquisa envolveu 16 centros de pesquisa científica em sete estados e o Distrito Federal. O teste duplo cego, com aplicação da vacina em 50% dos voluntários e de placebo nos demais, envolveu 12,5 mil profissionais de saúde.

A vacina é desenvolvida pelo Butantan há pouco mais de seis meses, em parceria internacional com a biofarmacêutica Sinovac Biotech, sediada em Pequim. O produto é baseado na inativação do vírus Sars-CoV-2 para induzir o sistema imunológico humano a reagir contra o agente causador da covid-19. A tecnologia é similar à de outras vacinas amplamente produzidas pelo instituto de São Paulo.

Em novembro, a revista científica Lancet, uma das mais importantes no mundo, publicou os resultados de segurança da vacina do Butantan nas fases 1 e 2, realizados na China, com 744 voluntários. A publicação mostrou que o produto é seguro e capaz de produzir resposta imune em 97% dos casos em até 28 dias após a aplicação.

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