Novo Coronavírus

São Paulo SP: especialistas temem contágio no transporte público com retomada

SP: especialistas temem contágio no transporte público com retomada

Município começa a receber na próxima segunda-feira (1º) propostas de protocolos de cada um dos setores que poderão retornar

Agência Estado
'Não há frota para atender às condições de segurança de saúde', diz engenheiro

'Não há frota para atender às condições de segurança de saúde', diz engenheiro

Paulo Iannone/Framephoto/Estadão Conteúdo - 27.05.2020

Diante da flexibilização gradual da quarentena no Estado de São Paulo a partir da próxima segunda-feira (1º), especialistas em mobilidade urbana e infectologia temem o aumento de casos do novo coronavírus com a aglomeração dentro do transporte público. Segundo eles, é impossível para as empresas de transporte respeitarem regras de isolamento social com o aumento do fluxo de passageiros.

A capital paulista permanece em quarentena em vigor desde 24 de março. Nesta quinta-feira (28), o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), evitou dar um prazo para a retomada das atividades.

O município começa a receber na próxima segunda-feira propostas de protocolos de cada um dos setores e só depois de análises das áreas de Desenvolvimento Econômico e Saúde haverá a liberação ou não.

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O governo de São Paulo anunciou na quarta-feira (27) um plano para liberação gradual da atividade econômica no Estado. Para isso, montou um planejamento em cinco fases, levando em consideração fatores como indicadores de novas infecções e ocupação da rede hospitalar. São Paulo está na fase 2, laranja, que permite a reabertura, com restrições, de shopping centers, lojas de rua, atividades imobiliárias, concessionárias e escritórios.

Funcionamento do transporte público

Para se precaver e amenizar os impactos no transporte público, a Prefeitura de São Paulo pediu às empresas de ônibus que disponibilizem mais 2 mil coletivos para quando a retomada for autorizada. A Secretaria dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo (SMT) afirma que continuará monitorando o fluxo de passageiros e ajustando a frota na Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e ônibus da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU).

Especialistas em mobilidade urbana e infectologia estão receosos. "Se pensarmos no distanciamento social, dentro do transporte público é quase impossível ser praticado. Não há frota suficiente para atender às condições de segurança determinadas pela saúde para prevenir contra o novo coronavírus", disse o engenheiro Ailton Brasiliense Pires, presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP).

Pires defende uma orientação com relação ao uso de máscara. "Com a máscara estou protegido? Quantas máscaras preciso levar para usar durante o dia? É preciso ter uma campanha forte de orientação", avaliou. Ele também acredita que as empresas devem rever o horário de entrada e saída dos trabalhadores, para amenizar o excesso de pessoas nos horários de pico.

O uso do transporte público com a retomada das atividades será o maior desafio para o Brasil. Em São Paulo, é comum aglomerações no horário de pico, o que pode agravar a transmissão da covid-19. "É o maior desafio, por causa da má qualidade do transporte público brasileiro. E isso se agrava com a pandemia. O mundo inteiro está retomando suas atividades mantendo o distanciamento de 1 metro, mas como fazer isso no Brasil? Se aglomerar, teremos mais casos no momento seguinte. É preciso retomar a discussão sobre como melhorar o transporte público. O uso de máscaras ajuda, mas não é suficiente para proteger os passageiros dentro da aglomeração do transporte público", afirmou o infectologista Lauro Ferreira Pinto Neto, da Sociedade Brasileira de Infectologia e professor da Santa Casa de Vitória.

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"Em Nova York, uma das causas que explica a explosão de casos e mortes, foi a demora em fechar o metrô, que é muito aglomerado", lembrou Pinto Neto. A cidade de São Paulo tem 180.720 casos suspeitos de coronavírus e 54.948 casos confirmados. O município tem 3.777 óbitos suspeitos de covid-19 e 3.619 confirmados, segundos dados divulgados nesta quinta-feira.

O uso de máscaras em ambientes públicos, assim como no transporte público, é obrigatório desde 7 de maio. O infectologista dá ainda algumas dicas com relação ao uso correto. "Quanto mais tempo falar, mas perde o fator protetor da máscara. Use máscara de algodão (com duas ou três camadas). Não toque na frente da máscara para não contaminar a mão e retire-a pelas tiras. Em média, a pessoa pode ficar com a máscara por três, quatro horas. A pessoa sente pela umidade. Se ficar fora de casa por 12 horas, deve ter entre duas e três máscaras a mais. As máscaras devem ser lavadas com água e sabão. Alguns especialistas recomendam que sejam deixadas de molho em água sanitária, por trinta minutos, antes da lavagem.

Ônibus municipais

O prefeito de São Paulo disse que carros extras serão colocados em serviço para evitar aglomerações. "Em relação ao transporte público municipal, já determinei às empresas concessionárias que deixem à disposição mais 2 mil ônibus. Elas serão avisadas assim que os protocolos forem assinados", afirmou ele.

CPTM, Metrô e EMTU

Covas disse que irá comunicar a SMT assim que as atividades forem retomadas para que aumente a capacidade do transporte sobre trilhos. A SMT afirma que, desde o início da quarentena, acompanha o funcionamento da "Operação Monitorada" e ajusta a frota da CPTM, Metrô e ônibus da EMTU "sempre que necessário para atender aos cidadãos que precisam se deslocar", disse, em nota.

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Segundo a secretaria, a operação é monitorada a cada hora, sobretudo em horários de pico, e quando constatada a necessidade de mais trens nas linhas da CPTM e do Metrô, eles são imediatamente colocados para operar, a fim de evitar aglomerações. O mesmo acontece com as linhas da EMTU, que exige das concessionárias ou permissionária a adequação da frota.

Existe ainda a cautela em orientar a população para que não realize deslocamentos desnecessários, pois a pandemia do novo coronavírus ainda não está controlada.

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