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São Paulo SP: MP exige 'reforço imediato' nos postos para combater febre amarela

SP: MP exige 'reforço imediato' nos postos para combater febre amarela

Promotor dá prazo de 7 dias para governos estadual e municipal apresentarem protocolo de saúde seguido no atendimento à população

SP: MP exige 'reforço imediato' nos postos para combater febre amarela

População faz fila para tomar vacina da febre amarela em Jacareí, interior de SP

População faz fila para tomar vacina da febre amarela em Jacareí, interior de SP

Nilton Cardin/Folhapress - 19.01.2018

O promotor do Ministério Público do Estado de São Paulo Arthur Pinto Filho, da área de Direitos Humanos e Saúde Pública, afirmou ao R7 nesta sexta-feira (19) que o governo do Estado e do município devem informações à população.

"Pedimos ao secretário de saúde do Estado e do município que forneçam reforço imediato em equipe e insumos nos postos de saúde", afirmou. "As informações diárias e o reforço [de pessoal, vacinas, seringas, agulhas e outros equipamentos] é imediato. Tem que ser amanhã ou segunda-feira. Não é possível a população continuar batendo cabeça atrás de vacina. Tem que saber onde tem e onde não tem", disse.

Até hoje, 36 pessoas já morreram no Estado por causa de complicações provocadas pela doença. Para o promotor, é inaceitável que o Brasil enfrente uma epidemia de febre amarela nessas proporções. "Pedimos que eles encaminhem para nós o protocolo de vacinação. Eles têm 7 dias [para responder]", afirmou.

Desinformação

"O que a gente percebeu é que há uma desinformação muito grande por parte da população, e a culpa não é dela. Os governos federal, estadual e municipal estão completamente mudos sobre esse tema. [É preciso] informar quem pode, quem deve e quem não pode tomar vacina", explicou.

"A produção [da vacina que previne a febre amarela] é do governo federal e é insuficiente e não atende a demanda do Estado e do País, mas é atribuição do MPF [Ministério Público Federal]. O que nos cabe é verificar a organização no nosso município da distribuição da vacina", detalha. 

O promotor também classificou a postura dos governos estadual e municipal como "silentes". "O Estado e o município estão silentes, não estão dando a devida informação à população, que tem direito de receber a informação precisa do Estado e do município, através do governador, do prefeito ou dos secretários. Alguém tem que falar de forma clara", destacou.

Mortes por reação

Para o promotor, as duas mortes em decorrência da vacinação da febre amarela são um exemplo da falta de informação para a população. "O idoso não tinha a informação correta de que ele não podia se vacinar. Mas o mais grave é a pessoa que vacinou o idoso, que deveria estar ciente de que não poderia vaciná-lo [...]. A falta de informação atinge a população e inclusive as pessoas que trabalham na área da saúde pública", explica.

"A ideia é que o Estado e o município informem a população, diariamente. Quais as UBS [Unidades Básicas de Saúde] que vão promover a vacinação, quantas doses têm e quem pode e quem não pode tomar a vacina. Isso de forma diária, para que a população saiba informação precisa sobre a febre amarela", adverte. 

Em nota, a SMS (Secretaria Municipal de Saúde) de São Paulo informou "que foram notificadas cinco mortes por suposta Doença Viscerotrópica pelo vírus vacinal: uma foi confirmada; uma, descartada e outras três estão em investigação. Todas as notificações são de moradores do município de São Paulo".

O comunicado reforça que "a reação à vacina é rara e, de acordo com a literatura médica, pode atingir uma (1) a cada 500 mil pessoas que tomaram a dose". 

Confusão em postos de saúde

O promotor também enfatizou o risco de "quebradeira" e confusão que existem em decorrência da falta de informação da população, que não sabe a quantidade de doses de vacinas contra a febre amarela disponíveis. Nesta sexta-feira, houve uma tentativa de invasão da UBS Jardim Helena, na zona leste de São Paulo, por causa da falta de doses.

"A preocupação é que a população tenha informação para que não continue essa via crucis pela cidade atrás de postos. Porque pode chegar numa situação de muita gravidade, como já chegou hoje, com quebradeira, com invasão de posto. Isso pode ficar uma situação caótica e ficar pior do que está", completou. 

Sobre a confusão na UBS Jardim Helena, em São Paulo, a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo afirmou, em nota, que, "houve uma confusão na fila na hora da distribuição das senhas, o que ocasionou a interrupção do atendimento, que já foi retomado. A unidade está abastecida com mil doses".  

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