Coronavírus

São Paulo SP: Por insegurança ou precaução, restaurantes adiam reabertura 

SP: Por insegurança ou precaução, restaurantes adiam reabertura 

De casas de gastronomia especializada a hamburguerias, alguns estabelecimentos decidiram esperar um pouco mais para abrir as portas

A Osteria del Rosso, restaurante de cozinha italiana no Tatuapé, em São Paulo, preferiu postergar a reabertura e continuar com o delivery

A Osteria del Rosso, restaurante de cozinha italiana no Tatuapé, em São Paulo, preferiu postergar a reabertura e continuar com o delivery

Divulgação

A partir desta segunda-feira (6), restaurantes e bares da capital paulista poderão reabrir as portas, após a quarentena imposta pela pandemia do novo coronavírus. Esses estabelecimentos, assim como outros dos setores de estética, beleza e bem-estar, poderão funcionar com horário regulado e capacidade reduzida, de acordo com os protocolos assinados no último sábado (4) pela Prefeitura de São Paulo.

Embora a ansiedade e a necessidade financeira sejam grandes, já que o setor da gastronomia foi um dos mais afetados pelo isolamento social, muitos donos de bares e restaurantes estão inseguros de reabrir neste momento, preferindo precaver-se e esperar mais um pouco. Outros adiaram a abertura das portas para se preparar melhor para receber o público, sem abrir mão da segurança para clientes e equipe.

Mario Rosso, proprietário do restaurante italiano Osteria del Rosso e da hamburgueri Rosso Burger, ambos no Tatuapé, na zona leste de São Paulo, é um dos que querem mais tempo antes de receber o público novamente. Em breve, ele pretende inaugurar uma segunda unidade da lanchonete, na Vila Prudente.

Suas casas começaram a operar com delivery durante a pandemia para, como ele afirma, "se manter de pé e não quebrar."

"Na minha opinião, um protocolo desses, de abrir apenas por 6 horas, é inviável neste momento. A gente sabe que a doença ainda não está controlada, por isso nos parece precipitada a reabertura em relação ao tamanho do problema", acredita ele.

"Além disso, se a gente reabrisse agora, teríamos de aumentar o custo operacional. Nosso restaurante tem muito mais movimento no jantar, então, não funciona", acrescenta Mario, referindo-se a um dos protocolos estipulados para que as casas reabram com o limite de atendimento até as 17 horas. "Enquanto não tivermos um horário cabível e viável para trabalhar, a gente não vai reabrir", afirma.

O Emporin do Diguinho, na zona oeste paulistana, pretende abrir a casa, mas com medidas bastante rígidas para proteger clientes e equipe

O Emporin do Diguinho, na zona oeste paulistana, pretende abrir a casa, mas com medidas bastante rígidas para proteger clientes e equipe

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Aberto para reserva, mas com portas fechadas

Para Heloísa Soriano, à frente do Emporin do Diguinho, restaurante especializado em carnes na brasa e defumadas, na Pompeia, zona oeste de São Paulo, a ideia é reabrir no próximo fim de semana, porém, aos poucos.

"Vamos continuar com o delivery e abriremos durante a semana, mas só para o almoço e com reserva prévia", diz Heloísa. Ela e o marido, que tocam a casa, estão reorganizando os espaços internos, de modo a oferecer uma boa distância entre os clientes. 

"Temos alvará para 100 pessoas, mas podemos receber apenas 40% da nossa capacidade, como manda a Prefeitura, ou seja, só 40 pessoas. Dessa forma, como temos vários ambientes, conseguimos separar os clientes em grupos para aumentar um pouco mais a segurança", revela Heloísa.

Outra medida que eles pensaram é manter as portas fechadas e receber os clientes reservados com algumas precauções. "Vamos medir a temperatura das pessoas na entrada, oferecer álcool em gel em todas as mesas e usar guardanapos, molhos e azeites em sachês, descartados logo após o uso", afirma ela.

Diante dessa expectativa, Heloísa pretende reabrir o Emporin no próximo fim de semana, se conseguir fazer os ajustes necessários. "Provavelmente, vamos voltar a funcionar das 11h às 17h, com as reservas feitas antecipadamente pelo whatsapp", diz ela.

Com um food truck e uma hamburgueria, a marca Buzina Burgers deve reabrir só depois de cuidadosa avaliação por parte do proprietário

Com um food truck e uma hamburgueria, a marca Buzina Burgers deve reabrir só depois de cuidadosa avaliação por parte do proprietário

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Observar e aguardar

Jorge Gonzalez, que comanda o Buzina Burgers, em Pinheiros, também segue na linha da precaução, assim como Mario Rosso. O que começou com um food truck (que ainda existe), transformou-se numa hamburgueria, na zona oeste da capital, num dos bairros mais movimentados em termos gastronômicos.

Durante a quarentena e antes da permissão para a reabertura, os negócios de Jorge estavam funcionando por delivery e drive thru, que devem se manter, até segunda ordem.

"A pandemia tem sido difícil em todas as facetas da vida, não tem nenhuma decisão que a gente possa afirmar 'essa é a correta', temos apenas direções que podem dar certo", conta ele. Neste momento, ele decidiu por não abrir as portas aos clientes novamente por considerar que está muito em cima da hora. "Não acho justo nem correto, precisamos de mais tempo para nos planejar", afirma Jorge.

"Já estamos fazendo delivery e, com isso, corremos um risco de disseminar o vírus. Se abrirmos, mesmo com a redução no salão, vamos certamente aumentar as chances de espalhar a doença e as condições ainda não nos parecem favoráveis para isso", defende ele.

Em algum momento, se tudo der certo, Jorge quer reabrir o food truck e a lanchonete, mas não será agora. "Estamos observando o que aconteceu no Sul, onde estabelecimentos abriram e tiveram de fechar, e no Rio de Janeiro, onde foi um descontrole total, pessoas aglomeradas, sem uso de máscara", lembra Jorge.

"Na próxima semana, ou em 10 dias, a gente reavalia e decide. Se abrir, quero que seja para valer, não quero fechar logo depois", acrescenta.

A Casa da Tânea, na zona oeste de São Paulo, deve reabrir apenas no ano que vem

A Casa da Tânea, na zona oeste de São Paulo, deve reabrir apenas no ano que vem

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Abrir de novo? Só no ano que vem

Já Tânea Romão, chef de cozinha regional que está trabalhando sozinha com sistema de delivery e marmitas elaboradas e distribuídas por ela mesma, durante a quarentena, tomou uma decisão ainda mais radical: "Até 2021, eu não abro", diz ela, convicta. "Acho uma loucura essa decisão, não é o momento, principalmente porque a doença ainda continua se espalhando por aqui", defende a chef.

Conhecida pelo restaurante Kitanda Brasil, que operou por alguns anos em Tiradentes, Minas Gerais, e depois se mudou para São Paulo, Tânea ficou um tempo dedicando-se a um projeto com mulheres em situação de vulnerabilidade social. Decidiu reabrir o espaço - agora, rebatizado de Casa da Tânea - no início do ano. Fez as reformas devidas e abriu as portas no dia 20 de março deste ano, bem na época em que a pandemia começou por aqui.

Com isso, as únicas duas funcionárias que trabalhavam com ela foram embora para suas cidades, no nordeste, como medida de precaução, e Tânea ficou sozinha, tocando toda a operação, na tentativa de manter o negócio funcionando.

"Resolvi fazer o que eu dou conta, por isso não uso nenhum aplicativo de delivery, já que o volume é grande. Eu faço de tudo, das compras à limpeza, da produção dos pratos e marmitas à entrega, de porta em porta", conta a chef.

No começo, como se pode imaginar, foi bem complicado. Mas, hoje, ela conseguiu uma clientela fiel que já a conhece e confia no produto e na higiene, encomendando até mesmo receitas que ela não costuma fazer. "Para sobreviver, além da entrega das marmitas, inventei comidinhas especiais de fim de semana, coisas de festa junina, atendo aos pedidos dos clientes, vou me organizando", diz Tânea.

Ela até pensou em trazer uma das funcionárias de volta, pois a profissional voltou a São Paulo. Mas, como mora longe do restaurante, e depende de transporte público, a chef achou arriscado. "As pessoas estão tão ansiosas para que isso acabe logo que a flexibilização acaba criando a falsa imagem de que não existe mais pandemia, o que não é verdade", afirma.

Dessa forma, até o ano que vem, a chef pretende continuar com suas entregas em menor escala, porém dentro de um limite de segurança e higiene fundamentais, especialmente neste momento. "A gente tem que se proteger e proteger os clientes, não é uma decisão fácil", acrescenta.

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