SP pós-pandemia: transporte deve revezar horário e manter tarifas

Em entrevista ao R7, secretário de transportes do Estado defendeu extensão no horário de pico e garantiu manutenção de valores: 'Quem aumenta sou eu'

Para gestão estadual, horários de pico diluídos serão solução para aglomerações

Para gestão estadual, horários de pico diluídos serão solução para aglomerações

Marcelo Machado/Futura Press/Estadão Conteúdo

O Estado de São Paulo não aumentará os preços das tarifas de transporte público nem durante nem depois da pandemia do novo coronavírus. A afirmação categórica é do secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, que, em entrevista exclusiva ao R7, disse apostar no escalonamento de horários entre as atividades essenciais e não essenciais para que os casos de covid-19 não disparem durante a retomada gradual implementada por João Doria.

O interesse, segundo Baldy, é em alternar os horários de entrada e saída e de troca de turno de todas as atividades, para que se possa otimizar a frota do transporte público e estender, assim, os horários de maior movimento. “Nos horários entre picos, temos trens e ônibus circulando bem vazios e, nos horários de pico, maior aglomeração”, argumentou.

Entretanto, o secretário destaca que, pela constituição brasileira, essas alternâncias seriam atribuição dos municípios e que “é fundamental” que as prefeituras e os setores econômicos que retornarão às atividades entendam a importância do escalonamento. A medida é tratada pela pasta como ponto-chave para contenção de casos após a reabertura das atividades.

A respeito de um possível aumento das tarifas de Metrô, CPTM e dos ônibus metropolitanos, Baldy, que já havia dito que não haveria mudança durante a pandemia, foi enfático. “Nem durante nem posterior à pandemia haverá qualquer tipo de aumento de passagem de CPTM, Metrô e EMTU [Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo] no Estado”, afirmou.

O recente comentário do presidente da NTU (Associação Nacional de Empresas de Transportes Urbanos), Otávio Vieira da Cunha Filho, que indicou o aumento no valor das passagens de ônibus em todo o país pela diminuição do número de passageiros, foi rechaçado pelo secretário: “Quem aumenta sou eu, não ele. Afirmo com todas as letras”.

Duas vezes questionado sobre sua posição a respeito de uma retomada econômica neste momento – junto do consequente crescimento da movimentação nos transportes públicos – aumentar a possibilidade de contágios do coronavírus em São Paulo, o secretário limitou-se a dizer que serão realizados todos os esforços para transportar as pessoas e combater a disseminação do Sars-Cov-2.

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Para o período pós-pandemia, usando os exemplos das determinações em transportes de Madri, Milão e Paris, Baldy falou sobre a higienização dos trens e ônibus, não citou outros planos e jogou luz novamente sobre a alternância de horários. É, segundo ele, a medida entre “as mais vislumbradas” nas principais cidades e regiões metropolitanas com as dimensões de São Paulo.

Avaliação dos primeiros meses

Pouco mais de dois meses após o início da quarentena em São Paulo, Baldy avaliou como positiva a implementação da “Operação Monitorada”, com avaliações diárias da necessidade de cada operação no Metrô, CPTM e EMTU, e destacou as medidas de higienização nas superfícies de trens e ônibus.

Perguntado sobre aspectos falhos na condução da gestão de transportes estadual e no município de São Paulo, apontou o rodízio de veículos na capital.

“Pessoas que não poderiam sair com seus carros acabaram usando o transporte público. Em determinados dias houve o aumento substancial no número de passageiros e transporte”, disse o secretário. Ele pontua que a “apresentação transparente” dessas medidas e de seus resultados foi importante para que pudesse manter o que funcionou e revogar o que não vingou.

Manifestações

Os protestos do último final de semana em São Paulo – e também em outras cidades – chamaram atenção para conflitos de manifestantes e policiais militares, além de momentos de tensão entre integrantes de diferentes atos.

Baldy lamentou depredações dentro de estações do Metrô e nas imediações da avenida Paulista e afirmou que a secretaria de Transportes Metropolitanos já possui um plano de contingência para conflitos, protestos e dias de jogos de futebol entre times com grandes torcidas. “Nos preparamos quando percebemos o número de pessoas que ingressavam o sistema”, comentou.

Segundo o secretário, embora a expectativa para novos atos não seja de atribuição de sua pasta, “estamos preparados, inclusive para fechar algum de tipo de proteção e evitar depredações como as que ocorreram no último protesto”.

Obras

A pandemia do novo coronavírus, assegura Alexandre Baldy, não fará São Paulo parar suas obras na pasta dos transportes.

Entre as previsões, Baldy cita que a estação Francisco Morato, da Linha 7 - Rubi da CPTM, já tem data de abertura – 31 de agosto – e a estação Vila Sônia, da Linha 4 - Amarela do Metrô, será entregue até o final de dezembro deste ano.

Seguem em andamento a retomada da Linha 6 – Laranja do Metrô (em negociação com o grupo espanhol Acciona) e o plano de execução da linha 7 do trem intercidades (TIC) entre São Paulo e Campinas, que deverá ser licitado em 2021. O secretário cita também a busca pela concessão das linhas 8 e 9 da CPTM, a evolução da extensão da linha 9 e a retomada da Linha 17 – Ouro do Metrô. Todas estas, no entanto, já tiveram em seus projetos atrasos ou prorrogações anteriores em seus cronogramas.