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São Paulo SP projeta fabricar 40 milhões de doses e aplicar ButanVac em julho

SP projeta fabricar 40 milhões de doses e aplicar ButanVac em julho

Além da Anvisa, instituto vai cadastrar o imunizante junto à OMS e promete enviar fármaco a outros países após atender o Brasil

  • São Paulo | Fabíola Perez, do R7

Imunizante desenvolvido pelo Butantan usará mesma tecnologia que a vacina da gripe

Imunizante desenvolvido pelo Butantan usará mesma tecnologia que a vacina da gripe

ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO - 26.03.2021

O governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou, nesta sexta-feira (26), que o Instituto Butantan terá condições de oferecer 40 milhões de doses da ButanVac, imunizante produzido integralmente no país, para iniciar a vacinação a partir de julho deste ano. O anúncio ocorreu em coletiva de imprensa realizada na sede do Instituto Butantan nesta manhã.

"Essa é uma vacina prioritariamente para o Brasil e brasileiros, depois atenderemos outras nações que também sofrem com a covid-19. A produção vai iniciar em maio com autorização do governo de São Paulo e do Instituto Butantan", disse Doria. O governador informou ainda que na, tarde desta sexta-feira, no horário do Brasil, o Butantan irá protocolar um pedido junto à OMS (Organização Mundial de Saúde) para que o órgão possa acompanhar a testagem das fases 1, 2 e 3.

De acordo com o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, o desenvolvimento da nova vacina começou em março do ano passado. "De lá para cá, um esforço intenso de toda a equipe do ponto de vista da produção e das negociações internacionais e nacionais", disse. "Hoje temos lotes suficientes para iniciar um estudo clínico que deverá ser muito rápido. Hoje, deveremos ingressar e protocolar na Anvisa com o DDCM, um dossiê de desenvolvimento clínico, e vamos dialogar para que, em dois meses e meio, terminar essa fase de avaliação cínica e começar de fato a produção."

Dimas Covas disse ainda que os estudos com a Butanvac inauguram uma nova geração de vacinas. "É muito mais barato esse tipo de produção em ovos embrionários, utilizando uma tecnologia nacional que já existe, a mesma utilizada para a produção nacional da vacina da gripe", explicou. "Estamos falando de uma segunda geração de vacina, aprendemos com as anteriores e sabemos o que é uma boa vacina contra a covid-19, ela já incorpora versões anteriores", disse o médico. "Poderemos usar menores doses de vacina por pessoas e com isso o quantitativo de doses pode ser aumentado."

A previsão do instituto é de os testes clínicos comecem em abril. Segundo o diretor do Butantan, a vacina foi produzida em escala piloto. O imunizante está pronto para testes clínicos e teve, segundo ele, bons resultados em testes pré-clínicos.

O Instituto Butantan participa de um consórcio internacional e tem como objetivo fornecer a vacina para países emergentes e subdesenvolvidos. "Nosso compromisso é fornecer essa vacina a países de renda baixa e média. Se o mundo rico comabte porque tem recursos, os países de renda baixa poderão manter a pandemia, o vírus vai estar nos países pobres da América Latina e da Ásia. Temos que ter vacinas para esses países para combater a pandemia globalmente."

Covas ressaltou que a produção do imunizante com tecnologia integralmente nacional trará independência ao país. "A produção dos 40 milhões de vacina poderá começar em maio e a nova vacina poderá ser usada no segundo semestre desse ano", disse o diretor do Instituto. "Os resultados se mostraram promissores o que nos permite evoluir para os demais testes involuntários já em abril com a autorização da Anvisa. Temos que superar a burocracia em nome da saúde e da vacina", afirmou Doria.

Imunizante nacional

O Instituto Butantan desenvolveu uma nova fórmula de vacina contra a covid-19 e vai pedir à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) o início da fase de testes nesta sexta-feira (26). 

A instituto ligado ao governo de São Paulo fará parte de um consórcio internacional e espera ter capacidade para produzir a maior parte dos imunizantes utilizados na nova vacina, chamada de Butanvac. Atualmente, o Brasil depende de insumos internacionais para poder desenvolver as vacinas da CoronaVac e de Oxford/AstraZeneca.

A Butanvac passou nos testes pré-clínicos, em que os efeitos são observados em animais. Os ensaios 1 e 2, voltados para segurança e a capacidade de promover resposta imune, envolveriam 1.800 pessoas. A fase de eficácia, onde pode ser pedido o uso emergencial e o registro final, são a terceira parte deste processo.

A intenção é ter a vacina pronta no prazo de dois meses, com a chamada produção de risco iniciada e maio, mesmo sem o aval da Anvisa. Todos os testes do novo imunizante serão feitos em São Paulo, com cidadãos de várias idades. Segundo o diretor do Butantan, Dimas Covas, é possível ter 40 milhões de doses prontas até o fim do ano.

O Butantan foi selecionado para a produção do imunizante porque a tecnologia necessária é a mesma da vacina da gripe, desenvolvida pelo laboratório nacional. Em parceria com o laboratório chinês Sinovac, o Instituto Butantan já ofereceu ao PNI (Programa Nacional de Imunizações) 27,8 milhões de doses desde o início das entregas, em 17 de janeiro. Até o fim de abril, o total de vacinas garantidas pelo Butantan ao país somará 46 milhões.

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