Coronavírus

São Paulo SP registra 24 mil boletins online por violência doméstica em 1 ano

SP registra 24 mil boletins online por violência doméstica em 1 ano

Maio de 2020, janeiro e março deste ano lideraram ocorrências registradas em Delegacias de Defesa da Mulher no estado

  • São Paulo | Beatriz Leite, da Agência Record

DDMs registram 24 mil B.O.s eletrônicos de violência doméstica no estado de SP

DDMs registram 24 mil B.O.s eletrônicos de violência doméstica no estado de SP

Reprodução/Facebook

Mais de 24 mil B.O.s (Boletins de Ocorrência) eletrônicos sobre violência doméstica foram registrados nas DDMs (Delegacias de Defesa da Mulher) Online do estado de São Paulo entre abril de 2020 e março deste ano, de acordo com balanço divulgado pela Polícia Civil de São Paulo nesta quinta-feira (22). O número corresponde a três boletins por hora. 

Segundo as autoridades da segurança pública paulista, a ampliação do espectro dos crimes que podem ser registrados por meio da Delegacia Eletrônica tem encorajado vítimas de violência doméstica a denunciar seus agressores, especialmente durante o isolamento social ocasionado pela pandemia de covid-19.

Os meses com maior número de ocorrências registradas foram: maio de 2020 (2.240 B.O.s), janeiro de 2021 (2.464) e março de 2021 (2.828). Em média, a plataforma contabilizou 2.000 ocorrências dessa natureza por mês — demanda que motivou a estruturação da DDM online com funcionamento 24h e 86 funcionários, sendo sete delegados.

"A criação e implantação da DDM Online é uma medida pioneira e inovadora que promove o efetivo e incessante enfrentamento à violência doméstica e no âmbito familiar, além proporcionar um rápido e humanizado acolhimento das vítimas, as quais, em meio à pandemia, ficaram ainda mais vulneráveis em seus lares com seus agressores. Essa iniciativa é a real possibilidade de cada mulher ter uma delegacia na palma de sua mão", destacou a delegada Mônica Pescarmona, coordenadora da DDM Online.

Como acionar as DDMs

O atendimento é feito por meio da Delegacia Eletrônica, que pode ser acessada por qualquer dispositivo conectado à internet (celular, tablet e computador). As vítimas não precisam dispor de todas as informações pessoais do agressor para concluir a comunicação do crime.

No entanto, alguns dados são essenciais para apuração dos fatos, como: grau de parentesco ou relacionamento com o agressor e suas características; local, horário e descrição da ocorrência; bem como sua vontade de solicitar uma medida protetiva e qual delas.

A plataforma também permite o envio de fotos do agressor, de ferimentos causados por ele ou mensagens que ele tenha enviado.

Ao final de todas as etapas, a vítima tem acesso ao boletim de ocorrência e declara se tudo está de acordo com o informado. Com tudo finalizado corretamente, ela recebe um protocolo de registro e os dados são enviados diretamente a uma central da Polícia Civil paulista, que rapidamente analisa os fatos e adota as providências de polícia judiciária cabíveis.

Em alguns casos, uma equipe entra em contato com a vítima para o acolhimento e, em outros, mais urgentes, uma viatura é encaminhada para socorrê-la.

Medidas protetivas

No caso da solicitação de medidas protetivas à Justiça, a vantagem do registro eletrônico é a imediata comunicação à DDM física ou à seccional de polícia correspondente, ação que agiliza o processo.

Além disso, a DDM online já está colocando em prática a solicitação direta da medida protetiva ao Poder Judiciário, por ora em execução apenas na área da 1ª Seccional da Capital, por meio de um projeto piloto com previsão de rápida expansão para todo o estado.

Outra medida a ser implantada pela Polícia Civil será a criação do Call-Center, serviço no qual funcionários serão treinados para atender as vítimas e oferecer auxílio psicológico.

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