SP tem diminuição de 1,5 milhão de veículos com rodízio contra covid-19

Houve um aumento de 270 mil pessoas no transporte público municipal, o que significa um crescimento de 6%. Segundo Covas, frota aumentou em 12%

Rodízio tem como objetivo aumentar taxa de isolamento social

Rodízio tem como objetivo aumentar taxa de isolamento social

Bruno Ruas/ Fotoarena/ Estadão Conteúdo - 11.05.2020

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, afirmou que a cidade registrou uma redução de 1,5 milhão de veículos e 1,9 milhão pessoas deixando de circular de carro. A medida foi anunciada pela administração municipal para aumentar a taxa de isolamento na capital, que é considerada o epicentro da covid-19.

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Covas afirmou ainda que houve um aumento de 270 mil pessoas circulando no transporte público municipal, o que significa um crescimento de 6%. Segundo o prefeito, houve também um aumento de 12% na frota de ônibus. "Não houve nenhum relato na manhã ou a tarde de ônibus superlotado em São Paulo", disse. A prefeitura, segundo ele, também acompanha a movimentação no metrô e nos trens, que são de responsabilidade do estado. 

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Na sexta-feira (8), o índice de isolamento social registrado foi de 46%, muito abaixo da média mínima recomendada de 55%. Na segunda-feira (11), o índice foi de 49,3%. "Se pudermos voltar a esse índice não há razão para o rodízio em São Paulo", disse Covas. "Quando mais pessoas colaborarem, mais poderemos falar em flexibilização."

Covas comentou a postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não colabora com o enfrentamento da doença em São Paulo, uma vez que a capital é o epicentro da crise. "O quanto ele puder colaborar com o discurso de conscientização já colaboraria muito", diz. Até quarta-feira (12), Covas disse que irá decidir se São Paulo seguirá o decreto presidencial que inclui novos serviços como essenciais.

Socorro a Estados e municípios

O prefeito Bruno Covas afirmou que a previsão de perda de arrecadação em torno de R$ 7,7 bilhões, na visão na mais otimista, e R$ 9,5 bilhões, na mais pessimista. "A ajuda é de R$ 3,6 bilhões para cidade de São Paulo, menos da metade da expectativa de perda de arrecadação, por isso tomamos outras medidas como liberar fundos municipais para combate à covid-19", disse Covas. 

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A cada semana, segundo ele, a Prefeitura tem refeito as contas para chegar no fim do ano no zero a zero sem dever nada. "Temos conseguido manter a Prefeitura atuando e não ter que encerrar uma obra de uma hora para a outra."

Em relação ao aumento nos gastos da área da Saúde, Covas afirmou que há um gasto extra de R$ 1,2 bilhão que, segundo ele, se soma à perda de arrecadação. "Temos fluxo de caixa para trabalhar tranquilamente até junho. Passando de junho, vamos ter que refazer as contas, se for o caso, parar algumas obras para manter o atendimento na área da saúde", afirmou. "Tudo o que tinhamos acertado nos últimos três anos ajudou na reorganização dos gastos neste período."

Possibilidade de Lockdown

Sobre a possibilidade de um isolamento mais rígido, Covas afirmou que São Paulo tem seguido as recomendações da área de saúde. Ele não descarta a ideia, inclusive, de forma isolada. 

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"Há uma dificuldade de fazer isso de forma isolada, São Paulo vive uma realidade metropolitana, onde pessoas trabalham em uma cidade e moram em outras", disse. "Se a prefeitura decretar isoladamente o efeito nao vai ser o esperado porque é difícil controlar a movimentação das outras cidades, que estão próximas aos bairros mais periféricos."

"Estamos com essa possibilidade em cima da mesa e o rodízio foi feito inclusive para tentar evitar o lockdown, com a possibilidade de ampliarmos a taxa de isolamento. Vamos ver se aumenta esse índice, afirmou Covas.