SP tem menor taxa de isolamento social desde início da quarentena 

Adesão às políticas de distanciamento vem caindo nas últimas semanas, e plano de reabertura econômica pode ser revisto pelo governo estadual

Autoridades dizem que taxa de isolamento social ideal é de 70%

Autoridades dizem que taxa de isolamento social ideal é de 70%

Rahel Patrasso/Reuters

São Paulo registrou na quinta-feira (30) o menor índice de isolamento social desde o início da quarentena decretada pelo governador João Doria, em 24 de março. De acordo com o SMI (Sistema de Monitoramento Inteligente) do estado, atualizado na tarde desta sexta-feira (1º), a taxa caiu de 47% para 46%.

A adesão às políticas de distanciamento vem caindo significativamente nas últimas semanas e preocupando as autoridades de saúde. Segundo o infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus, o ideal para 'achatar a curva' de infecções pelo novo vírus é de 70%. 

"Se a taxa continuar baixa, o número de leitos disponíveis no sistema de saúde não será suficiente para atender a população", disse Uip em entrevista coletiva. Só na capital paulista, por exemplo, a ocupação de leitos de UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo) para o tratamento da covid-19 já atingiu 89% da capacidade

Os indicadores são calculados com base em dados de GPS fornecidos pelas operadoras de telefonia celular. Desde o início da medição, em 5 de março — quando foi observado apenas 30% de isolamento —, o indicador só ficou próximo ao ideal em apenas quatro ocasiões, nos dias 29 de março e 5, 12 e 19 de abril (59%).

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O estado é o mais atingido pela pandemia, com 28.698 casos confirmados e 2.375 mortes pela doença causada pelo novo coronavírus. O Brasil tem 85.380 ocorrências e 5.901 óbitos, de acordo com o último balanço do Ministério da Saúde.

Abertura gradual do comércio

Baixa adesão pode comprometer plano gradual de reabertura do comércio

Baixa adesão pode comprometer plano gradual de reabertura do comércio

Willian Moreira / Estadão Conteúdo / 26.04.2020

São Paulo pretende começar a flexibilizar as medidas e colocar em prática um plano gradual de reabertura econômica a partir do dia 11 de maio. No entanto, com a participação da população em queda, membros do governo começam a sinalizar a possibilidade de uma revisão do projeto. 

Até lá, conforme esclareceu João Doria na primeira quinzena de abril, não muda nada em relação ao que pode ou não funcionar no estado. "A quarentena será mantida exatamente como está, até 10 de maio. Após 10 de maio, poderá ser flexibilizada, se a medicina indicar e as pessoas respeitarem o índice de isolamento médio de 50% em todo o estado", disse o governador.