Novo Coronavírus

São Paulo Superlotação no transporte ainda é transtorno após 1 ano de pandemia

Superlotação no transporte ainda é transtorno após 1 ano de pandemia

Fase passou de emergencial para vermelha, o que pouco altera o cenário de passageiros amontoados em ônibus, trens e metrôs

Passageiros aguardam na plataforma da Estação da Luz

Passageiros aguardam na plataforma da Estação da Luz

Edson Lopes Jr./R7 - 12.04.2021

A superlotação no transporte público da capital paulista ainda é um problema a ser solucionado mesmo um ano após o início da pandemia do novo coronavírus. Nem a fase emergencial, em vigor entre 15 de março e 11 de abril permitiu que os passageiros circulassem com o distanciamento necessário para evitar a disseminação do vírus. 

A fase vermelha voltou a valer nesta segunda-feira (12) e, inicialmente, segue até o dia 18 de abril. O toque de recolher das 20h às 5h segue em vigor, assim como a restrição de atendimento presencial em todos os serviços essenciais e o reforço da fiscalização sobre eventos e aglomerações. A recomendação para o escalonamento na entrada e na saída de trabalhadores da indústria, serviços e comércio continua válida, assim como a obrigatoriedade do teletrabalho e a proibição de celebrações religiosas.

A fase mudou, o comércio lidar com restrições, mas o transporte continua lotado. Passageiros seguem amontoados nos ônibus e nos vagões do Metrô e da CPTM.

O risco de contaminação no transporte, nessas condições, é altíssimo, avalia o epidemiologista Paulo Petry, professor da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). A combinação de grande número de pessoas, espaço pequeno e pouca ventilação favorece um risco excessivo não só dentro do transporte, mas também entre as pessoas que convivem com os passageiros. 

A chance de infecção é de 2,4% entre pessoas que vivem em locais diferentes, e sete vezes superior (17%) quando moram na mesma residência, segundo estudo de especialistas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e das universidades da Flórida e de Guanghzou, na China.

Gonzalo Vecina Neto, médico sanitarista e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), aponta a necessidade de discussão do tema. “Parece que se trata pouco do assunto porque achamos que não tem jeito. Como se, já que se pensa que não há o que fazer, fosse melhor nem falar sobre”, afirma o especialista, fundador da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Movimentação na Estação da Luz, no centro de São Paulo

Movimentação na Estação da Luz, no centro de São Paulo

Edson Lopes Jr./R7 - 12.04.2021

Na falta de vacinação em massa, espeialistas apontam medidas que poderiam amenizar o problema:

- Endurecimento das restrições às atividades econômicas na pandemia. Os especialistas consultados cogitam a necessidade adoção de lockdown em determinados casos. Gonzalo Vecina destaca medidas como as adotadas em Araraquara.

- Aumento da frota de ônibus, trens e metrôs. Os dois últimos operam na capacidade padrão e os ônibus com 88% da capacidade. No entanto, apesar da demanda reduzida alegada pelos governos, as aglomerações não foram evitadas. O intervalo entre os carros também precisaria aumentar, segundo Marcos Vinícius da Silva, médico especialista em Saúde Pública e doutor em doenças infecciosas e parasitárias.

- Escalonamento. A ideia, sugerida pelo governo estadual, não obtém consenso. :Gonzalo Vecina Neto e Marcelo Burattini, professor e infectologista da USP defendem a ideia como forma de quebrar o horário de pico e reduzir as aglomerações. Marcos Vinícius da Silva, no entanto, acredita que a melhor solução seria ampliar horários dos locais de atendimento, assim como de metrôs e ônibus. Assim, haveria espaçamento entre pessoas, evitando aglomerações em horários de pico.

No Estado de São Paulo e na capital , as taxas de isolamento social nunca chegaram aos 70% ideais definidos pelo governo. Níveis entre 55% e 60%, considerados como satisfatórios pela gestão estadual, foram alcançados somente até maio de 2020. De junho em diante, com exceção dos domingos, as taxas estiveram frequentemente abaixo de 50%.

Outro lado

Em nota, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos informou que está com “’Operação Monitorada’ desde o início da pandemia e atua com avaliação sistemática a cada faixa de horário”. A pasta também ressaltou que Alexandre Baldy, responsável pelos transportes no Estado, defende o escalonamento obrigatório de entrada e saída de trabalhadores em atividades essenciais que sejam permitidas funcionarem “como um caminho possível para evitar a concentração de passageiros nos horários de pico”.

Já a prefeitura, por meio da SPTrans, disse que a frota de ônibus foi mantida acima da demanda, e que a frota atualmente está mantida em 93,34% nos bairros mais afastados do centro e em 88,25% em toda a cidade. A demanda de passageiros dos ônibus municipais, em relação a um dia útil antes da pandemiam, caiu de 61% na semana anterior ao retorno da Fase Vermelha (em 2 de março), para uma média de 39% nos dias 26, 29, 30 e 31 de março e 1º de abril, feriados antecipados. Na sexta-feira (9), último dia útil da fase emergencial, a demanda foi de 48%. 

Além disso, a gestão municipal destacou ações como o monitoramento do deslocamento dos passageiros, a higienização dos veículos e terminais e conscientização sobre cuidados e higiene pessoal com os operadores e passageiros.

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