São Paulo Suspeita pesquisou local onde família foi encontrada morta no ABC

Suspeita pesquisou local onde família foi encontrada morta no ABC

Carina Ramos teria também ido à região onde os corpos foram encontrados, o que, segundo a polícia, demonstra que os assassinatos foram planejados

  • São Paulo | Do R7, com informações da Record TV

Carro das vítimas foi abandonado em São Bernardo, com os corpos no porta-malas

Carro das vítimas foi abandonado em São Bernardo, com os corpos no porta-malas

Reprodução/Record TV

O assassinato das três pessoas da mesma família encontra carbonizada no ABC foi planejado, segundo reforçam materiais obtidos com exclusividade pelo núcleo investigativo da Record TV.  Depoimentos prestados à polícia mostram que Carina Ramos, nora e cunhada das vítimas, já tinha pesquisado e ido ao local onde os corpos foram encontrados no dia 28 de janeiro, uma região de mata na Estrada do Montanhão, em São Bernardo.

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Dias antes do crime, Carina Ramos pesquisou na internet o local onde foram encontrados os corpos das vitimas. Para a polícia, o fato reforça a hipótese de que o crime foi premeditado.

No depoimento, o delegado pergunta a Carina se ela conhecia o local onde o carro foi encontrado. Ela respondeu que lá tem um memorial e que as pessoas pagam para entrar e nadar em cachoeiras. O delegado insiste e afirma que a Estrada do Montanhao é muito grande. Quer saber se ela já procurou na internet o local exato. Carina confirma que sim e, em seguida, diz que foi varias vezes ao local. 

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Fontes ouvidas pela Record TV disseram que Carina pesquisou, inclusive, o histórico dos policiais envolvidos na investigação antes de ser presa. 

A suspeita também teria tentado manipular a esposa, Anaflávia Gonçalves, filha e irmã das vítimas, nos depoimentos. Em um trecho, o delegado pergunta se o casal teria combinado uma versão do crime. Carina responde que orientou a companheira a pensar em suas três filhas, caso contrário, o primo dela, também preso suspeito de participar da ação "ia mandar matar todo mundo".

O caso

A Polícia Civil considerava Anaflávia e Carina suspeitas desde o primeiro dia da investigação. Chamadas a depor, elas inventaram que a família estaria devendo dinheiro a um agiota e o homem seria o possível mandante do crime, mas acabaram caindo em contradição e tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça. Em novo interrogatório, Carina mudou a versão. À polícia, disse que estava na casa dos sogros quando três indivíduos armados entraram e renderam a família. Também afirmou que um dos criminosos seria o seu primo Juliano de Oliveira Ramos Jr., mais conhecido por Buiú ou Beiço.

Embora não tenha acreditado plenamente no depoimento, o delegado solicitou à Justiça a prisão de Juliano. Ao ser preso, ele prestou o depoimento que revirou a investigação. Na delegacia, disse que todos tinham bolado o plano juntos e Anaflávia e Carina participaram ativamente de toda a ação. O grupo entrou no condomínio escondido no carro de Anaflávia, um Fiat Palio, depois de seguir o Opala em que estavam Romuyuki e Juan Victor. Já Carina passou a pé pela portaria social, conforme mostram as câmeras de segurança. Eram 20h09, horário que já não havia mais porteiro no local.

Uma vez na casa, simularam ter dominado Anaflávia e Carina. Depois dominaram o pai e o filho e passaram a exigir a senha do cofre. Como nenhum dos dois sabia, as vítimas foram torturadas a pancadas e asfixiadas com um saco plástico, segundo Juliano. Ao chegar ao local, a mãe Flaviana se desesperou e abriu o cofre. A suposta quantia de R$ 85 mil que se buscava não existia. Pela versão de Juliano, Anaflávia e Carina deram aval para as mortes. A filha teria concordado em executar os pais por causa de uma suposta herança de seguro de vida.

Após as novas acusações, o casal foi prestar novo depoimento e, desta vez, fez uma confissão parcial. As duas admitiram o assalto, mas alegaram que a ação saiu do controle. Segundo elas, a condição era de que o roubo não envolvesse violência física ou xingamentos. Em meio à guerra de narrativas, essa também é a versão adotada pela defesa do quinto preso pelo crime. "O Guilherme jura de pés juntos que a ideia era só o roubo e não participou das mortes", diz José Gomes.

Contra o depoimento de Juliano, pesa o fato de ele ter apontado como partícipe - em vez do irmão Jonathan - um inocente. Os policiais viajaram mais de 470 quilômetros para prender Michael Robert dos Santos, de 26 anos, em Avanhandava (SP). Ele chegou a passar três dias detido até que os investigadores concluíram que pegaram a pessoa errada. "Ele (Juliano) já não tinha nada a perder, não custava nada acabar com a vida de outra pessoa", disse Santos, ao Estado, no dia em que foi solto. Segundo conta, esteve na mesma cela de Juliano e chegou a perguntar por que ele o incriminou. "Ele me pediu desculpa." Para voltar para casa, recebeu ajuda de custo dos policiais.

Unidas

Com prisão temporária em vigor, Juliano e Jonathan estão em uma unidade de São Caetano do Sul, no ABC. Já Guilherme está detido no CDP de Pinheiros, na capital, porque também responde por flagrante de receptação, convertido em prisão preventiva. Por sua vez, Anaflávia e Carina eram, na semana passada, as únicas presas na carceragem do 7.º DP de São Bernardo do Campo. "Elas são muito educadas e corteses. Não há nenhum episódio que as desabone aqui dentro", afirma um carcereiro. As duas passam os dias juntas e não teriam feito nenhum pedido à administração. "Estão fechadas no mundinho delas." O que mais chama atenção no 7.º DP, entretanto, é que até agora só os advogados de defesa foram vê-las na cadeia. "Nenhum familiar veio falar com elas."

Perfis

Anaflávia Meneses Gonçalves: Filha mais velha de Romuyuki e Flaviana Gonçalves e irmã de Juan Victor. É acusada por Juliano de elaborar e executar o assalto à família, além de ter dado aval às execuções.

Carina Ramos: Mulher de Anaflávia, está no terceiro casamento e tem três filhas. É apontada como elo entre membros da quadrilha.

Juliano de Oliveira Ramos Jr.: Primo de Carina, é o único com antecedente criminal. Apontou participação direta de Anaflávia e Carina nos crimes.

Jonathan Fagundes Ramos: Irmão de Juliano e primo de Carina. Foi o último a ter a prisão temporária decretada pela Justiça.

Guilherme Ramos da Silva: Trabalhava em lava-rápido de Santo André e é vizinho dos outros investigados.

Michael Robert dos Santos: Foi apontado por Juliano como um dos partícipes do crime, mas depois a polícia constatou que ele era inocente.

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