Taxa de isolamento de 70% frearia pandemia em SP, diz governo

Dados do Centro de Contingência do Coronavírus mostram como curva de contágio se comporta em determinados cenários de redução da mobilidade

Projeções levam em conta para quantas pessoas um infectado transmite o vírus

Projeções levam em conta para quantas pessoas um infectado transmite o vírus

Nelson Antoine/Estadão Conteúdo

Estimativas feitas pelo Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo mostram que apenas um índice de isolamento social de 70% seria suficiente para desacelerar o avanço da pandemia no estado. Atualmente, o índice é de 47%.

Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (7) pelo diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

A equipe de especialistas que fornece informações para as decisões do governador João Doria leva em conta a taxa de transmissibilidade do vírus, o chamado "R".

Sem qualquer medida de distanciamento social, o R seria de 2,9. Isto significa que uma pessoa infectada em São Paulo no início da pandemia transmitia o coronavírus para outras três, em media.

Sempre que esse número de reprodução é superior a 1, os casos aumentam. O oposto ocorre quando é abaixo de 1.

Nas projeções, uma taxa de isolamento social de 30%, representaria um R de 2. Ou seja, o número de casos dobraria em determinado período.

Quando o isolamento vai para 55%, o R cai para 1,16, o que indicaria uma estabilização da curva epidemiológica.

É neste cenário que o Centro de Contingência tem focado como forma de evitar um aumento abrupto de casos, e pessoas doentes, que o sistema de saúde não esteja preparado para atender.

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Dimas Covas classifica esse índice de contágio como uma "situação de curva mais aceitável", mas ressalta que "a epidemia continuaria ainda crescendo".

Entretanto, é quando o distanciamento social chega próximo a 70%, que o número de reprodução do vírus cai abaixo de 1, para 0,87.

"Quando isso acontece, a epidemia para de crescer, ela se estabiliza, até que lá na frente ela tende a desaparecer", explicou Dimas Covas.

Pelo monitoramento do governo, o estado nunca chegou próximo a esse patamar — o mais alto é 59%, normalmente aos domingos.

O governo vai anunciar na sexta-feira (8) o que vai acontecer no estado após o fim da atual quarentena, que acaba no dia 10.

"A medida mais agressiva seria o que nós chamamos de mitigação intensa, que é o que muita gente usa o termo em inglês, que é lockdown, que produziria mais de 75% de redução da taxa de transmissão", exemplificou o diretor do Butantan.

No lockdown, a polícia é usada para isolar determinadas regiões e para controlar a circulação de pessoas nas ruas. A medida já está em vigor no Maranhão e no Pará. A mesma estratégia foi usada na Itália, na Espanha e na China.

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