'Tenho medo', diz professora alvo de atentado em SP; PMs são suspeitos

Mariene Guioto, presidente do PT municipal, diz que discussão com policial em rede social teria motivado ataque. Três PMs suspeitos foram afastados

Suspeito corre em direção a viatura da PM após atentado em Nuporanga (SP)

Suspeito corre em direção a viatura da PM após atentado em Nuporanga (SP)

Reprodução/Twitter

A professora Mariene Guioto, de 33 anos, membro da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e presidente do diretório do PT de Nuporanga (SP), acredita que uma discussão com um policial militar da cidade nas redes sociais possa ter motivado o atentado a bomba que sofreu no último domingo (28).

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A vítima teria sido ameaçada por uma mensagem de áudio, em função de uma postagem sobre o acionamento da PM para dispersar festas realizadas na cidade durante a pandemia da covid-19. No total, três policiais militares afastados por suspeita de envolvimento no caso.

"O pessoal disse que tinha que chamar as autoridades, o prefeito. Eu disse que tinha que chamar a polícia. Mas a polícia nunca vem. Recebi uma ameaça pelo 'direct' [mensagens diretas] do Instagram. Ele ameaçou por áudio e apagou. Disse 'sou uma autoridade e você vai ver o que vai acontecer'", revelou Mariene.

Vídeo mostra ação suspeita de PMs após atentado no interior de SP

A suspeita da professora é que outro integrante da PM teria atirado dois artefatos explosivos e fugido na viatura que o esperava em uma rua lateral. Um vídeo com imagens de circuito de segurança mostra um homem encapuzado embarcando no carro oficial da corporação, supostamente logo após praticar o ato criminoso.

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"Eu e a minha mãe estávamos dormindo. Em um primeiro momento, achei que fosse tiro. Fui até a cozinha, havia cheiro de pólvora. Voltamos a dormir. No outro dia, fui até o portão e vi que a Polícia Militar estava lá. Foram duas bombas com numeração, me disse a polícia. Estavam cheias de pólvora e papel. Caíram na garagem", contou Mariene Guioto. 

Apesar de não ter provocado ferimentos ou estragos materiais, o episódio deixou traumas na professora e em sua mãe, de 56 anos, as duas únicas moradoras casa. "Entrei em estado de choque. Tremia. A minha mãe está com medo. Eu estou com medo", desabafou.

No entanto, Mariene acredita que o ataque possa ter afetado o seu pet, Pretinho, um mestiço de puddle de 13 anos. "O meu cachorro perdeu um pouco da audição. Chamo e ele não me escuta. Vou levá-lo ao veterinário. Ele é o xodozinho da rua", contou.

Após o ataque, não houve medidas de segurança adotadas pelas autoridades policiais para garantir a segurança da professora e militante política. Segundo Mariene Guioto, a base da PM local fica a cerca de 100 metros da sua residência.

Investigações

Segundo a SSP-SP (Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo), os policiais militares envolvidos na ação suspeita foram afastados das atividades nas ruas e exames periciais foram requisitados para auxiliar na elucidação do caso. O caso é investigado pela delegacia da cidade, situada na região metropolitana de Ribeirão Preto.

O R7 entrou em contato com a pasta para saber os desdobramentos da investigação e as revelações feitas pela professora Mariene Guioto sobre o atentado. Em resposta, a SSP-SP divulgou a seguinte nota:

"O caso foi registrado pela CPJ de São Joaquim da Barra e será investigado pela Delegacia de Polícia de Nuporanga. Exames periciais foram solicitados e serão anexados ao inquérito tão logo sejam concluídos. Vítimas foram ouvidas e orientadas quanto ao prazo para representação contra o autor. Assim que tomou conhecimento das imagens, a PM instaurou um inquérito policial militar para apurar os fatos e afastou os policiais envolvidos. A Instituição não compactua com desvios de conduta e investiga rigorosamente todas as denúncias contra seus agentes."