São Paulo TJ-SP quebra sigilo telefônico de PMs envolvidos em ação no Baile da Dz7

TJ-SP quebra sigilo telefônico de PMs envolvidos em ação no Baile da Dz7

Objetivo de quebra de sigilo é saber se os 31 policiais conversaram além da comunicação com o Copom na madrugada que terminou com 9 mortos

  • São Paulo | Elizabeth Matravolgyi, da Agência Record, e Kaique Dalapola, do R7

Viela onde jovens foram pisoteados, em Paraisópolis

Viela onde jovens foram pisoteados, em Paraisópolis

Kaique Dalapola/R7

O TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) quebrou o sigilo telefônico dos 31 policiais militares investigados pela ação que deixou nove pessoas mortas e 12 feridas no Baile da Dz7, em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, em dezembro do ano passado.

A decisão foi do juiz auxiliar da 1ª Vara do Júri da Capital, Luis Gustavo Esteves Ferreira, publicada nesta terça-feira (1).

Na última semana, o MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) havia solicitado à Polícia Civil os números dos celulares dos PMs envolvidos. O objetivo é apurar se, além das comunicações pelo Copom, houve comunicação pelos telefones pessoais de cada um deles.

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Na ocasião, nove jovens morreram pisoteadas durante a ação de policiais militares no baile funk que acontece dentro da favela de Paraisópolis, na região do Morumbi. Além dos mortos, 12 pessoas ficaram feridas.

De acordo com a Polícia Militar, equipes da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) estavam perseguindo dois homens, em uma moto preta. A dupla, ainda segundo a PM, estava armada e atirou contra os policiais militares.

Durante a perseguição, os homens teriam entrado no baile funk, que acontecia na comunidade. A estimativa é que no evento havia cerca de cinco mil pessoas.

Outras equipes da Polícia Militar foram acionadas para o local e ao chegarem no endereço, segundo a versão da Polícia Militar, elas foram recebidas com hostilidade. Os participantes do baile teriam arremessado pedras e garrafas.

As equipes de Força Tática utilizaram munições químicas para dispersar a multidão. Durante a ação, pessoas que participavam do baile funk, ficaram feridas, após serem pisoteadas. O resgate foi acionado, porém, apenas uma unidade de resgate conseguiu acessar o local. O motivo da dificuldade de acesso das equipes de resgate não foi esclarecido.

Os feridos foram levados para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Campo Limpo, para o Hospital do Campo Limpo e para a AMA (Assistência Médica Ambulatorial) Paraisópolis. Do total de 21 feridos, nove pessoas morreram. Inicialmente, todas morreram pisoteadas.

A Associação de Moradores de Paraisópolis afirma que os participantes do evento foram encurralados em becos e vielas durante a ação dos policiais militares. Os moradores dizem também que com frequência ocorrem ações de dispersão, na comunidade, causando correria e violência.

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