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São Paulo "Transporte está assustador, se pudesse não pegaria", diz usuária

"Transporte está assustador, se pudesse não pegaria", diz usuária

No segundo dia de retorno à fase vermelha, passageiros enfrentaram mais um dia de transporte público lotado em SP

  • São Paulo | Do R7

Sem distanciamento social, passageiros enfrentam lotação em trens e plataformas de SP

Sem distanciamento social, passageiros enfrentam lotação em trens e plataformas de SP

Edson Lopes Jr./R7 - 13.04.2021

No segundo dia de retorno de São Paulo à fase vermelha, passageiros enfrentaram mais um dia de transporte público lotado, em especial na estação Luz, na região central. Os trens das Linhas 7-Rubi e Linha 11-Coral da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) já chegavam bem cheios assim como as plataformas.

Para tentar conter o avanço da covid-19, apenas serviços essenciais podem funcionar no estado e há toque de recolher entre 20h e 5h. A capital paulista mantém em vigor o rodízio noturno de veículos a partir das 20h, dependendo do final da placa do carro.

"Transporte está assustador, se pudesse não pegaria", diz Talita Moreira

"Transporte está assustador, se pudesse não pegaria", diz Talita Moreira

Edson Lopes Jr./R7 - 13.04.2021

A operadora de telemarketing, Talita Moreira, de 31 anos, faz diariamente o trajeto Pirituba, na zona norte da capital, até a estação República, no centro. Ela não teve covid-19, mas teme pela saúde da mãe, que é do grupo de risco e mora com ela. “O transporte está assustador, se eu pudesse, não pegaria de jeito nenhum. Tinha que ter isolado lá no início, cancelado o Carnaval, agora está descontrolada [a pandemia]”, lamenta.

Técnico de enfermagem responsabiliza o governo Doria por superlotação nos transportes

Técnico de enfermagem responsabiliza o governo Doria por superlotação nos transportes

Edson Lopes Jr./R7 - 13.04.2021

O técnico de enfermagem do Hospital das Clínicas, Felipe Marque Vieira, acredita que a situação tem piorado. Ele sai de Francisco Morato, na Grande São Paulo, e vai até a estação Oscar Freire na linha 4-Amarela do Metrô. “Foi ótimo o megaferiado, essa semana já voltou ao normal, muito cheio e está cada vez pior. Se depender de condução, não existe pandemia. É muito jogo político, estão pensando em 2022 e esquecendo o agora, aí o povo fica a mercê”, diz.

Danilo Laurindo, de 36 anos, também responsabiliza o governo pela aglomeração no transporte público de São Paulo. “Transporte está bem cheio essa semana, voltou ao comum. O maior responsável é o Doria, tá fazendo isso para se promover a presidente, ninguém tá pensando em resolver o problema”, afirma o técnico de refrigeração.

Elisângela de Lima precisar usar o transporte para chegar à escola onde dá aulas na zona leste

Elisângela de Lima precisar usar o transporte para chegar à escola onde dá aulas na zona leste

Edson Lopes Jr./R7 - 13.04.2021

A professora de português, Elisângela de Lima, de 48 anos, foi vacinada no último sábado (10). Ela trabalha de forma presencial às terças e quintas em uma escola em Cidade Tiradentes, no extremo leste da capital, e sai de Pirituba, na zona norte, onde mora. “O governo está péssimo, está tudo errado”, enfatiza.

A auxiliar de escritório, Talita Guimarães, de 26 anos, depende do trem para chegar ao trabalho. Ela sai de São Caetano, no ABC Paulista, e vai até a Luz, na região central da capital. Ela disse que está se cuidando para não ser infectada pelo coronavírus, mas reclama da lotação do transporte: “No feriado estava bem mais tranquilo, ontem e hoje estão bem cheios os trens. Deveria ser estudada uma forma mais eficaz, porque a gente fica sem opção e precisa trabalhar”.

O outro lado

A SMT (Secretaria dos Transportes Metropolitanos) afirmou, em nota, que desde o início da pandemia adotou a Operação Monitorada, com avaliação sistemática a cada faixa de horário, para atender a demanda de passageiros.

Em março de 2020, a demanda caiu 80% em relação a um dia normal e na semana passada – último dado disponível - a queda foi de 61%, na média, entre as três empresas - Metrô, CPTM e EMTU. Antes da pandemia, as empresas transportavam juntas cerca de 10,5 milhões de passageiros por dia, segundo a SMT.

A secretaria informa ainda que Plano São Paulo recomenda o escalonamento de entrada e saída de funcionários em atividades essenciais para evitar a concentração nos horários de pico.

Já a frota de ônibus das linhas municipais da cidade de São Paulo foi mantida acima da demanda, informou a SPTrans (São Paulo Transporte). "No momento, a frota está mantida em 93,34% nos bairros mais afastados do centro e em 88,25% em toda a cidade, para uma demanda de menos da metade", escreveu.

O órgão disse ainda que a equipe técnica da SPTrans monitora diariamente o deslocamento do passageiro na capital com o objetivo de equilibrar a oferta à demanda.

De acordo com a prefeitura, uma série de medidas preventivas foram adotadas, como a obrigatoriedade do uso de máscaras, reforço na higienização dos veículos, garagens e terminais, principalmente em locais onde há contato mais frequente dos passageiros, como corrimãos e assentos.

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