Um mês após invasão, Instituto Royal calcula prejuízo e nega novo centro para animais no RS

Centro de pesquisas acompanha as investigações e aguarda para se pronunciar

A direção do Instituto Royal ainda não sabe o valor exato do prejuízo causado às atividades do laboratório em São Roque, no interior de São Paulo, invadido pela primeira vez há exatos 35 dias, quando animais usados em pesquisas foram levados e equipamentos foram destruídos. Tais perdas, somadas à suspensão do alvará de funcionamento, levaram a empresa a encerrar as atividades na cidade no início deste mês.

A reportagem do R7 tentou ouvir a gerente-geral do instituto, Silvia Ortiz, e o dono do Royal, Romeu Pereira de Souza, mas eles não atenderam às ligações. Por meio da assessoria de imprensa da empresa, a direção também não quis conceder entrevista. Os gestores informaram, por e-mail, que grande parte das informações corre sob segredo de Justiça atualmente, o que impede a divulgação de detalhes.

Sobre os prejuízos, estimados por funcionários e advogados “em mais de R$ 1 milhão”, o Royal declarou que “ainda está sendo apurado”, sem dar mais esclarecimentos. A resposta foi semelhante quanto à análise dos documentos referentes ao repasse de R$ 5,2 milhões, feito pelo governo federal ao instituto, em 2012. Há a possibilidade de que, eventualmente, parte do dinheiro tenha de ser devolvida aos cofres públicos.

— O Instituto Royal está tomando as providências necessárias relacionadas ao convênio, nos termos das normas pertinentes e das orientações da Finep (Agência Brasileira de Inovação, órgão filiado ao MCTI - Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação). Como as providências estão em andamento, nenhuma informação será divulgada neste momento.

Sem provas, investigações apontam para ausência de maus-tratos

Grupo divulga vídeo de invasão do Instituto Royal para retirada de ratos

Uma fonte do R7 em São Roque disse que o encerramento das atividades do instituto no interior paulista seria apenas uma “manobra” momentânea, até que o caso deixe o noticiário. O Royal possui uma planta em Porto Alegre, o Genotox, que não utiliza animais em pesquisas. Contudo, funcionários desligados em São Roque teriam sido avisados de que um terreno próximo ao Genotox foi adquirido e que abrigará no futuro uma nova planta da empresa. Por e-mail, o Royal desmentiu essa versão: "a informação não é verdadeira".

Instituto Royal pode ter de devolver dinheiro de pesquisas à União

Caso Royal: sem provas, investigações apontam para ausência de maus-tratos

A destinação de vários cães da raça beagle já recuperados pelo instituto também é incerta. A empresa se negou a revelar o paradeiro dos animais, “para que seja preservada a segurança e a integridade de todos os envolvidos”. O Royal explicou que questões relacionadas ao assunto “estão devidamente submetidas aos órgãos e autoridades competentes”.

Relembre o caso: