Novo Coronavírus

São Paulo União e solidariedade são as armas contra coronavírus em Paraisópolis

União e solidariedade são as armas contra coronavírus em Paraisópolis

Segundo líder comunitário, comunidade contratou três ambulâncias de forma independente para atuar na favela que fica na zona sul de SP

Voluntários de projetos sociais em Paraisópolis

Voluntários de projetos sociais em Paraisópolis

Divulgação

Com condições que impossibilitam seguir à risca as recomendações para não sair de casa e longe de ser o foco das medidas do poder público, a população de Paraisópolis usa solidariedade e união para enfrentar a pandemia do novo coronavírus e tentar passar por mais essa batalha com o menor dano possível.

Até o momento, pelo menos 12 pessoas morreram com a covid-19 na comunidade. As lideranças comunitárias estimam que há cerca de 400 moradores infectados e outros 1.000 com suspeita. Esta estimativa é feita com base no que é atendido pelas três ambulâncias, incluindo uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) móvel, contratadas pela própria comunidade.

De acordo com Igor Alexandre, líder comunitário, sete profissionais da saúde atendem no local bancados pela comunidade, sem apoio da prefeitura. As ambulâncias recebem 80 moradores com confirmação da doença.

Além dos agentes de saúde, outras 240 pessoas foram capacitadas com curso de brigadista socorrista para ajudarem na comunidade de forma voluntária. Tem ainda 420 moradores voluntários responsáveis por distribuir cestas básicas, produtos de higiene (incluindo álcool em gel), entre outras coisas, para mais de 20 mil famílias.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, os moradores de Paraisópolis também são atendidos no Cras (Centro de Referência de Assistência Social) Vila Andrade, no Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) Campo Limpo e em sete serviços conveniados, que oferecem 1.765 vagas.

“Os respectivos serviços instalados na Vila Andrade são: quatro Centros para Crianças e Adolescentes (630 vagas) e um Serviço de Assistência Social à Família e Proteção Social Básica no Domicílio (mil vagas), na Proteção Social Básica. Já na Proteção Social Especial de Média Complexidade, o distrito oferta um Centro Dia para Idoso (30 vagas), um Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (15 vagas) e um Serviço de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto (90 vagas)”, afirma a gestão municipal.

Apesar do avanço do novo coronavírus no país, conforme apontam os dados do Ministério da Saúde, Igor conta que “infelizmente, a comunidade de Paraisópolis ainda não entendeu a real situação, pois as ruas estão cheias”.

O líder comunitário atribui a falta de isolamento na região às condições de moradia. “A maioria das casas é de dois cômodos e a média por família é de cinco pessoas, então não conseguem ficar nas suas casas, não existe isolamento social”, explica.

A prefeitura afirma que atua no local utilizando “várias ferramentas de comunicação para atingir de forma mais efetiva a divulgação dos sinais, sintomas e forma de prevenção [do coronavírus]”. Além de estimular o isolamento social “com orientação de acordo com a realidade do local”, reforçar as informações sobre medidas de higiene individual e da residência.

Ainda segundo a gestão municipal, existe um “monitoramento de todos os casos com sintomas leves de gripe, através de contato telefônico e nos casos necessários através de visita domiciliar”.

Igor acredita que “faltam políticas públicas específicas para as favelas” da cidade, incluindo Heliópolis e Paraisópolis, que são as duas maiores. Enquanto não vem apoio do poder público, ele afirma que os moradores juntaram forças para não serem atropelados pela pandemia.

“A comunidade de Paraisópolis se uniu para combater o coronavírus com várias ações feitas pela União de Moradores de Paraisópolis. Foi criado o comitê de favelas que engloba vários projetos para ajudar a comunidade”, diz.

Uma das ações criadas na comunidade para enfrentar o coronavírus é o Projeto Mãos de Marias, que já fez mais de 20 mil marmitas entregues na comunidade. Outra é o Costurando Sonhos, que contratou costureiras para fabricação de máscaras doadas para os moradores com menos recursos.

Centro de convivência em Paraisópolis

Centro de convivência em Paraisópolis

Divulgação

Também foram criados dois centros de convivência em Paraisópolis para pessoas que foram infectadas pelo novo coronavírus e que não têm condições de ficarem isoladas em suas casas. 

Para as mulheres que trabalham como empregadas domésticas e ficaram sem serviço durante a pandemia, foi criado o projeto Adote uma Diarista, que ajuda cerca de 500 mulheres com cestas básicas e R$ 300 mensais durante três meses, sem o poder público.

Após ser questionada, a prefeitura disse que ampliou as ações na região e aumentou as equipes que atendem os moradores da favela. Sem citar prazo, disse que “o Centro de Convivência e Fortalecimento de Vínculos vai oferecer um novo serviço para atender crianças, adolescentes, jovens, adultos, famílias e idosos”. 

A gestão Bruno Covas afirmou também que intensificou os cuidados para prevenção das famílias na comunidade e disse que “a Prefeitura se uniu à sociedade civil para aumentar o alcance do atendimento às famílias em situação de extrema pobreza”.

Ainda conforme a prefeitura, em um mês foram arrecadadas 800 toneladas de mantimentos, distribuídos em diversas comunidades. No entanto, para Paraisópolis, afirma que “há um esforço de entidades, ONGs e associações para envio de doações”.

Por meio da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, a prefeitura afirma que a Supervisão de Assistência Social do Campo Limpo recebeu 1.000 cestas básicas e 220 foram destinadas à comunidade de Paraisópolis.

“Também realizou a distribuição de 398 cestas por meio dos Centros para Crianças Adolescentes. Além disso, diariamente são entregues 30 refeições para idosos cadastrados no Centro Dia para Idosos diretamente em suas residências”, diz a prefeitura.

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