'Vacina deveria ser obrigatória a todos os brasileiros', diz Doria

Governador rebate fala de Bolsonaro e diz esperar que presidente reveja sua posição. "Não consigo imaginar que alguém faça a opção pela morte"

Doria defende que imunizante seja fornecido para todos os brasileiros

Doria defende que imunizante seja fornecido para todos os brasileiros

Governo do Estado de São Paulo - 31.08.2020

O governador João Doria afirmou nesta quarta-feira (2) que a vacina contra o coronavírus deveria ser obrigatória para todos os brasileiros. Doria afirmou ainda que espera que a manifestação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a imunização possa ser revista.

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Bolsonaro disse nesta segunda-feira (31) que ninguém pode ser obrigado a tomar vacina, em resposta a uma apoiadora que aparentemente pediu que o governo federal proiba a vacinação contra a covid-19, em meio a uma corrida global por um tratamento para a doença causada pelo novo coronavírus.

"A manifestação do Bolsonaro sobre a não obrigatoriedade da vacina deveria ser revista. A vacina deveria ser obrigatoria para todos os brasileiros. Não consigo imaginar que alguém renegue a possibilidade de continuar vivendo e que alguém faça sua opção pela morte", disse Doria em coltiva de imprensa. 

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Segundo o goverandor de São Paulo, a vacina deve ser uma decisão pessoal e uma determinação do estado, que deve fornecer gratuiramente o imunizante em São Paulo ou qualquer outro estado. "Espero que a manifestação seja revista. As posições do ministro da saúde Pazuello têm sido muito acertivas."

"Ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina"

A frade foi dita pelo presidente Bolsonaro na entrada do Palácio da Alvorada no início da noite, em resposta a uma apoiadora que lhe pediu para não permitir "esse negócio de vacina", afirmando ser perigoso, de acordo com vídeo publicado nas redes sociais.

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No início do mês, ao assinar medida provisória que abriu crédito orçamentário de R$ 1,9 bilhão para a compra de 100 milhões de doses e posterior produção local da possível vacina contra covid-19 desenvolvida pelo laboratório britânico AstraZeneca e a Universidade de Oxford, Bolsonaro afirmou que a vacinação resolveria o problema provocado pela pandemia.

Mais cedo, o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, visitou a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) no Rio de Janeiro para acompanhar o cronograma de entrega da vacina. Inicialmente, a Fiocruz será responsável pela finalização das doses a partir de insumos importados, e depois será encarregada da produção nacional.

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A previsão do governo é de que as primeiras doses sejam distribuídas a partir do início de 2021. Simultaneamente, o governo de São Paulo trabalha no desenvolvimento de uma outra vacina com a empresa Sinovac Biotech, que também tem previsão de distribuição no começo do próximo ano.