Veterinário preso em rinha em SP é desligado de trabalho no Amazonas

ADAF diz que atitudes do colaborador não condizem com preceitos da agência e não compactua com maus-tratos de animais. Ele foi solto após fiança

Animais eram medicados para continuar na luta às vezes até a morte

Animais eram medicados para continuar na luta às vezes até a morte

Reprodução Instituto Luisa Mell

O veterinário André Sotero Vital, detido em uma rinha internacional de cães em Mairiporã, na Grande São Paulo, no último sábado (14) foi desligado da ADAF (Agência de Defesa Agropecuária e Florestal) do Estado do Amazonas. Segundo a entidade, o colaborador apoiava as ações do “Projeto de Apoio ao Fortalecimento da Defesa Agropecuária e Florestal”, da AADES (Agência de Desenvolvimento Econômico e Social).

André foi detido com outras 40 pessoas em um sítio, mas foi liberado mediante pagamento de fiança após audiência de custódia no Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo. Apenas o organizador do evento foi mantido na cadeia e teve a prisão preventiva decretada. Entre os detidos havia também um médico e um policial militar.

De acordo com a decisão, assinada pelo juiz André Luiz da Silva da Cunha, “nada há a indicar que em liberdade eles (suspeitos) possam colocar em risco a ordem pública, prejudicar o normal desenvolvimento de futura ação penal ou frustrar a aplicação de eventual sanção”. Por essa razão, o juiz não converteu a prisão em flagrante em preventiva. 

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Em nota, a ADAF do Amazonas informou que "as medidas cabíveis já foram tomadas para o desligamento do colaborador e lamentou a participação dele em um combate clandestino de cães em Mairiporã (SP)".

A entidade destacou ainda que "tais atitudes do colaborador divergem dos preceitos da agência, ao passo que, a Adaf repudia e não compactua com qualquer ato relacionado aos maus-tratos de animais, crime previsto pela Lei Federal nº 9.605/98".

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Por fim, a ADAF ressaltou que o perfil profissional do colaborador "se mostra impróprio com os princípios norteados pela Agência de Defesa Agropecuária e Florestal".

Durante a operação, o delegado Jan Plzak afirmou que, no sítio preparado para a rinha, foram encontrados "estimulantes, mas tinham outros remédios que eram usados nos animais já feridos. Não porque eram bonzinhos, mas para reabilitá-los para a próxima luta".

Exames médicos realizados nos cães resgatados de Mairiporã apontaram uso de anabolizantes nos animais. De acordo com Marina Passadore, veterinária do Instituto Luisa Mell, que recebeu alguns dos pit bulls feridos, "eles apresentam aumento de enzimas hepáticas, o que indica que as alterações foram causadas pelo uso indiscriminado de anabolizantes e testosterona".

A reportagem do R7 tenta contato com a defesa do veterinário.