São Paulo Viaduto que cedeu apresentava desgaste em juntas de dilatação

Viaduto que cedeu apresentava desgaste em juntas de dilatação

Engenheiro explica que junta serve como um “respiro” para facilitar a dilatação das vigas do viaduto e é um dos principais itens para observar em inspeções

Marcas mostram danos superficiais no viaduto que cedeu em SP

Marcas mostram danos superficiais no viaduto que cedeu em SP

MARIVALDO OLIVEIRA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

O viaduto que cedeu na madrugada desta quinta-feira (15) na Marginal Pinheiros em São Paulo já apresentava sinais de desgastes superficiais em suas juntas de dilatação.  A junta é um dos principais pontos para serem observados em uma inspeção de rotina de um viaduto ou ponte.

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Em uma análise superficial com base em fotos, o engenheiro Luís Otávio, do IBAPE (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia), chama atenção para o desgaste e a falta de vedação nesta junta. “Ali podemos ver que quebrou a borda superior, talvez em um acidente e ali o asfalto foi usado para consertar isto”, diz Luís.

Imagem de fevereiro mostrava "remendo" no viaduto

Imagem de fevereiro mostrava "remendo" no viaduto

Reprodução/Google Maps

Em imagens registradas pelo “Google Street View” em fevereiro deste ano mostram de forma bem clara está camada asfáltica que teria sido utilizada para minimizar o dano nesta junta. Após o viaduto ceder é possível observar que o local onde foi aplicado o asfalto estava desgastado.

O engenheiro explica que o espaço desta junta é previsto no projeto e serve como um “respiro” para facilitar a dilatação das vigas do viaduto em função das mudanças de temperatura.

Luís ressalta ainda que a junta de dilatação e o aparelho de apoio são os principais pontos a serem observados em inspeções de rotina em pontes e viadutos.  “O ponto onde a estrutura do viaduto cedeu, inclusive é exatamente neste local”, afirmou.

Inspeções e Manutenção

Uma norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) prevê uma rotina de inspeções para pontes e viadutos. A norma NBR-9452 prevê que sejam feitas inspeções rotineiras todos os anos e inspeções especiais a cada 5 anos. O texto prevê ainda que seja mantido um sistema de gerenciamento para estas inspeções.

Segundo o engenheiro Luís Otávio, do IBAPE (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia), o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) mantém uma base de dados que controla a inspeção de mais de 5 mil viadutos e pontes das rodovias federais brasileiras. 

“A Artesp, que administra as rodovias do estado de São Paulo, também mantém um sistema similar, mas desconheço se a prefeitura possui este sistema”, diz o engenheiro.

Em entrevista no local onde o viaduto cedeu, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, afirmou que as inspeções no viaduto estavam sendo realizadas, mas não informou quando foi feita a última vistoria no local.

O R7 questionou a Prefeitura sobre a idade do viaduto, quando foi feita a última vistoria e se a cidade mantém um sistema de rotina para as inspeções, conforme prevê as normas da ABNT, mas até a publicação desta reportagem não recebeu nenhuma resposta.