São Paulo Vítimas intoxicadas com gás jogado por vizinho temem volta ao trabalho

Vítimas intoxicadas com gás jogado por vizinho temem volta ao trabalho

Uma semana após morador de prédio lançar tubo com gás em funcionários de obra, vítimas relatam problemas de saúde e trauma

  • São Paulo | Fabíola Perez, do R7

Trabalhadores intoxicados sentem receio de voltar ao trabalho

Trabalhadores intoxicados sentem receio de voltar ao trabalho

FÁBIO VIEIRA / FOTORUA/ ESTADÃO CONTEÚDO - 10.08.2020

Uma semana após um homem ser preso por lançar um tubo de gás por debaixo da porta de um apartamento e intoxicar trabalhadores em um prédio na rua José Maria Lisboa, no Jardim Paulista, zona oeste de São Paulo, vítimas relatam sentir medo de voltar a trabalhar na reforma do imóvel.

Um dos funcionários vítima do ataque relata que tinha uma alergia na pele provocada por um ataque anterior. Com a última ocorrência, o quadro de saúde de Paulo César Barbosa da Costa se agravou. "No segundo ataque, peguei uma alergia. Da última vez, piorou muito porque ele jogou uma quantidade de gás muito maior. Estou com uma alergia muito forte no corpo."

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Paulo afirma ainda que fazia uso do plano de saúde da mulher e que como ela foi recentemente desligada do emprego, não poderá continuar o tratamento.  "Não tenho nem como voltar na dermatologista e eu precisava passar na médica de novo", diz. "Infelizmente, é complicado porque a gente precisa voltar a trabalhar, estamos com muito medo de voltar."

Não foi a primeira vez que os trabalhadores sofreram um ataque provocado pelo morador do prédio. "Ele fez três vezes e pode fazer uma outra ainda mais grave", diz. "Nos informaram que era um gás de pimenta junto com outra substância."

Jairo Neves da Silva também afirma que sente medo de retornar ao trabalho. Mas, ao mesmo tempo, diz que precisa do emprego para sustentar a família. "Ficamos com medo porque não sabemos o que se passa. Tenho que voltar porque sou pai de família e não posso ficar sem trabalhar."

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Jairo e Paulo César desconfiam que o gás de pimenta estava misturado com uma substância mais forte. "Na hora fiquei sem ar, tossindo e uma nuvem branca de fumaça se formou. Foi uma sensação muito estranha", disse Jairo. "Fiquei espirrando por dias, com falta de ar. A fumaça entrou na garganta e não me deixava respirar, meus olhos ficaram ardendo."

O que permanece uma semana após o trauma, segundo Jairo, é o receio. "Não sabemos o que se passa na cabeça dele. Ele ainda está no prédio. Pode acontecer alguma coisa ainda mais grave."

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