Novo Coronavírus

Saúde 2% dos indivíduos carregam 90% dos coronavírus circulantes

2% dos indivíduos carregam 90% dos coronavírus circulantes

Resultado é de um estudo conduzido pela Universidade do Colorado, nos EUA, com mais de 70 mil amostras de saliva

  • Saúde | Fernando Mellis, do R7

Autores ressaltam importância de identificar supercarregadores mesmo que assintomáticos

Autores ressaltam importância de identificar supercarregadores mesmo que assintomáticos

Divulgação/National Institute of Allergy and Infectious Diseases

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Colorado, em Boulder, nos Estados Unidos, traz novas informações sobre indivíduos que são descritos como supercontagiadores na pandemia de covid-19. Isto se dá pela alta carga viral que eles abrigam, segundo pesquisas prévias.

No artigo publicado nesta segunda-feira (10) na revista PNAS, da Academia Americana de Ciências, os pesquisadores analisaram cerca de 72,5 mil amostras de saliva coletadas no próprio campus entre 27 de agosto a 11 de dezembro de 2020 — quando ainda não haviam sido identificadas naquela localidade as novas variantes do coronavírus.

Um dos principais achados foi que "apenas 2% dos indivíduos infectados carregam 90% dos vírions que circulam dentro das comunidades, servindo como 'supercarregadores' virais e provavelmente também superespalhadores".

"Há uma distribuição altamente assimétrica de vírus em ambas as populações [sintomáticos e assintomáticos], com apenas um pequeno número de pessoas carregando a grande maioria do vírus. Ainda não se sabe se esses são indivíduos especiais capazes de abrigar cargas virais extraordinariamente altas ou se muitos indivíduos infectados passam por um período muito curto de carga viral extremamente alta", observam os autores.

O grupo também ressalta a importância de serviços de vigilância epidemiológica serem capazes de organizar esquemas de triagem comunitários para identificar superportadores do coronavírus "os estágios pré-sintomáticos e assintomáticos da doença", tendo em vista que "esses indivíduos continuarão a sustentar e impulsionar a epidemia se não forem localizados".

"Uma taxa mais alta de propagação por superportadores virais seria consistente com análises recentes de rastreamento de contato, sugerindo que 80% a 90% das infecções são causadas por 10% a 20% dos indivíduos infectados", acrescentam.

Outra conclusão do estudo mostra que a carga viral entre os universitários analisados era praticamente a mesma encontrada em pessoas hospitalizadas.

Por fim, os pesquisadores alertam que "quanto mais tempo leva para as pessoas receberem seus resultados, mais tempo se passa onde elas podem, sem querer, infectar outras pessoas."

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