Alimentação exerce papel fundamental na recuperação de pacientes com paralisia cerebral

Paralisia exige cuidados especiais alimentares com paciente 

Alimentação exerce papel fundamental na recuperação de pacientes com paralisia cerebral

Pacientes recebem alimentos específicos para seu tratamento

Pacientes recebem alimentos específicos para seu tratamento

Reprodução

Dentre os diversos serviços de um hospital, a alimentação exerce um papel fundamental na recuperação dos pacientes, o que inclui uma dieta balanceada e prescrita de acordo com a necessidade de cada indivíduo. Em um dos hospital referência no País em tratamento de crianças, jovens e adultos com paralisia cerebral grave, a Associação Cruz Verde, o momento da nutrição é um acontecimento para os pacientes, muitas vezes, o momento mais alegre e prazeroso do dia.

A paralisia cerebral causa distúrbios nutricionais e compromete a deglutição. Até mesmo problemas como constipação intestinal, vômitos recorrentes e pneumonias repetitivas exigem que a alimentação seja especial, merecendo ainda mais atenção da família e das equipes que atuam no tratamento. 

Para criar uma dieta de terapia nutricional e enteral equilibrada e adequada para cada paciente, a Associação Cruz Verde atua com uma equipe multiprofissional formada por médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, enfermeiros, que realiza reuniões mensais nas quais discutem a condição de cada um dos 204 pacientes internados. “Conversamos sobre tudo o que aconteceu durante o mês, como assuntos relacionados ao peso, alimentação, mudança e consistência da dieta, passagem e retirada de sonda”, explica Vania Barbosa Konopa, nutricionista responsável pelo serviço de nutrição e dietética.

Além dos 60 sondados que recebem dieta enteral industrializada nas 24 horas do dia, a instituição abriga 144 pacientes que se alimentam via oral, totalizando 720 refeições por dia (café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia), sem contar as que são preparadas para os funcionários. Para cada um dos pacientes é realizada uma avaliação nutricional, na qual se elabora uma dietoterapia totalmente voltada à patologia. “É um trabalho muito rico, pois são pessoas extremamente necessitadas de uma dieta importante e funcional, que recupere ou mantenha o estado nutricional”, enfatiza a nutricionista. Segundo ela, muitas vezes, os pacientes chegam muito debilitados e desnutridos, por conta do próprio problema de saúde, o que dificulta ainda mais a recuperação.

Para a nutricionista, um dos primeiros pontos a considerar é a consistência da dieta, que deve estar de acordo com o estado geral do paciente, segundo a dentição, mastigação, deglutição e presença de aspirações. A dieta pode ser geral, quando a pessoa consegue comer alimentos sólidos ou líquidos; pastosa; ou semi-líquida, em casos de grande dificuldade alimentar, em que os alimentos precisam ser batidos.

Quando ingressou na Cruz Verde, há sete anos, Vania encarou o desafio de gerenciar uma cozinha de tal magnitude. Buscou aprofundar-se no assunto, uma vez que a literatura sobre paralisia cerebral ainda é muito escassa. Para isso, procurou especializar-se na área, estudou curvas de crescimento e foi atrás de índices. Hoje, é regularmente convidada por instituições como o Sírio-Libanês e na Universidade de Marília, para ensinar como alimentar pessoas com paralisia cerebral, como fazer a avaliação nutricional de um paciente que não dobra a perna, como pesar alguém que não fica de pé na balança, entre outros assuntos.

Vania conta com a ajuda de 16 funcionários na cozinha. Seu papel é acompanhar todo o serviço de nutrição e dietética da instituição, além de organizar pedidos, recebimento de mercadoria, elaboração de cardápio, gerenciar o processo de qualidade e as normas operacionais, como tomadas de temperatura, guarda de amostras de comida pronta, higienização de folhas e legumes, controle de pragas, preenchimento de formulários e etiquetas das dietas enterais.