Alterações de visão podem ser 1º sintoma de esclerose múltipla

Sistema imune ataca camada de revestimento dos nervos, mas tratamento precoce pode evitar sequelas; agosto laranja é mês da conscientização

Esclerose múltipla faz com que o sistema imune ataque os nervos

Esclerose múltipla faz com que o sistema imune ataque os nervos

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Agosto laranja é o mês de consciêntização sobre a esclerose múltipla, uma doença crônica, inflamatória e autoimune. Isso significa que o sistema de defesa do organismo ataca a camada de proteção dos nervos, o que causa diferentes sintomas e sequelas, como perda de força, dificuldade de caminhar e incontinência urinária. Alterações de visão podem ser o primeiro sinal.

"O sistema imune ataca a bainha de mielina, camada de gordura que reveste os nervos e é indispensável para que o impulso nervoso seja transmitido de um nervo para o outro e, assim, causa inflamações", explica a neuroftalmologista Márcia Lúcia Marques.

De acordo com a especialista, esse ataque pode acontecer com qualquer nervo, em diferentes partes do corpo. Por isso, a doença pode dar diversos sinais, como dificuldade para caminhar, descontrole urinário, confusão mental e fadiga crônica e formigamento, que acontece, geralmente, nos braços e pernas. "Às vezes, a pessoa fica anos com isso e pensa que não é nada", observa.

Ainda segundo a médica, a causa da esclerose múltipla é desconhecida, mas os especialistas sabem que existem uma predisposição genética. A doença atinge 2,5 milhões de pessoas no mundo, de acordo com o manual. A maioria delas são mulheres entre 20 e 40 anos. "Mas também pode acontecer em homens e asolescentes", ressalta.

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Inflamação do nervo ótico é a mais grave

No entanto, as consequências mais graves acontecem quando a doença atinge o nervo ótico e faz com que ele inflame. "A neurite ótica é uma manifestação mais grave, que causa perda parcial ou total de visão. A pessoa começa a a ver as cores desbotadas, principalmente tons de vermelho", descreve.

"Qualquer um desses sintomas já exige a procura do oftalmologista. Quanto mais cedo a doença for diagnosticada e tratada, maior a chance de retomar as funções afetadas e ter uma vida completamente normal", acrescenta.

Sequelas motoras são as mais comuns, como dificuldade de andar e a perda de força. "Mas não existe uma prevalência, é variado", ressalta.

Danos silenciosos

As alterações na visão podem ser o primeiro sintoma da esclerose múltipla. Entretanto, também é possível que os danos no nervo ótico aconteçam de maneira silenciosa mesmo em quem já sabe que tem a doença. 

"É importante que a pessoa já diagnosticada se conheça e saiba identificar novos surtos [da esclerose]", pondera. "Às vezes, a pessoa teve neurite ótica, mas não sabe. É necessário procurar o neuroftalmologista com frequência para fazer os devidos exames", orienta.

Diagnóstico e tratamento

O Manual Merck de Diagnóstico e Terapia aponta que existem diferentes padrões de esclerose múltipla e seus sintomas podem piorar e melhorar de maneira imprevisível. Também é possível que a doença avance gradualmente, sem sinais óbvios de recaídas. Por isso a imprtância do diagnóstico, feito a partir da análise médica e de exames como a ressonância magnética.

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Quando alguém está em uma crise da doença, o tratamento é feito com medicamentos corticoides. Depois, é preciso realizar um trabalho de manutenção com uma equipe multidisciplinar, que envolve, por exemplo, sessões de fisioterapia e terapia ocupacional.