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Saúde Anticorpos contra covid podem ser detectáveis por até sete meses

Anticorpos contra covid podem ser detectáveis por até sete meses

Estudo com 500 pessoas em Portugal, publicado em periódico científico europeu, sugere que imunidade de curto prazo contra o coronavírus

Estudo continua também para avaliar também risco de reinfecção

Estudo continua também para avaliar também risco de reinfecção

Reprodução/NIAID

Um estudo realizado em instituições de pesquisa científica de Portugal sugere que a imunidade em pessoas que já tiveram a covid-19 pode durar menos de um ano.

O artigo, publicado no Jornal Europeu de Imunologia, mostra que indivíduos infectados permanecem com anticorpos neutralizantes detectáveis por pelo menos sete meses.

Foram monitoradas 500 pessoas em Portugal desde o início da pandemia. Passados sete meses, 90% delas ainda tinham defesa do organismo contra o coronavírus SARS-CoV-2.

De acordo com a pesquisa, a gravidade da doença impacta no nível de anticorpos — quadros leves induzem a uma menor resposta imunológica.

"Os resultados deste estudo transversal de mais de seis meses, até ao sétimo mês depois da infeção, mostram um padrão clássico de resposta imunitária, com um rápido aumento dos níveis de anticorpos nas primeiras três semanas após os sintomas da covid-19 e uma redução subsequente", explica o investigador Marc Veldhoen, do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, principal autor do estudo.

O grupo também avaliou se os anticorpos encontrados nessas pessoas eram neutralizantes (capazes de prevenir uma nova infecção pelo mesmo vírus). 

"Embora tenhamos observado uma redução nos níveis de anticorpos, os resultados dos nossos ensaios de neutralização mostraram uma atividade robusta até ao sétimo mês depois da infeção numa grande proporção de indivíduos previamente testados positivamente para a covid-19", complementa Veldhoen.

A pesquisa vai continuar pelos próximos meses, segundo o cientista, "para avaliar a robustez da resposta imunitária à infeção por SARS-CoV-2 e encontrar pistas para algumas questões em aberto, como a duração desta resposta imunitária ou se existe a possibilidade de reinfecção".

A duração de imunidade e o risco de reinfecção pelo coronavírus são pontos que ainda carecem de um consenso na comunidade científica.

Há casos sendo investigados em diversos países, inclusive no Brasil, de pessoas que contraíram o vírus pela segunda vez.

Se confirmadas a hipótese de uma imunidade de curta duração, a vacina se torna ainda mais fundamental, pois não seria possível atingir de maneira natural a chamada imunidade de rebanho.

Outros tipos de coronavírus que provocam resfriados leves criam uma resposta imune que dura em torno de 12 meses.

Os estudos em andamento de vacinas também serão importantes para definir se haverá vacinação periódica da população. 

Saiba mais sobre as vacinas em estudo contra a covid-19:

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