Apesar da política, OMS continua a apoiar o Brasil, diz diretor da Opas

Chefe do Departamento de Doenças Transmissíveis da Organização Pan-Americana da Saúde ressalta 'tradição de cooperação' entre país e entidades

Bolsonaro ameaça retirar Brasil da OMS

Bolsonaro ameaça retirar Brasil da OMS

Adriano Machado/Reuters

Após o presidente Jair Bolsonaro afirmar que o Brasil pode sair da OMS (Organização Mundial da Sáude), a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), representação da OMS na região, diz que continuará a apoiar o país em relação ao acesso a vacinas e medicamentos contra covid-19.

Em entrevista coletiva, nesta terça-feira (9), o diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da Opas, Marcos Espinal, ressaltou a "longa tradição de cooperação" que o Brasil tem com a OMS e com a Opas.

"Independentemente da coisa política, nossa organização, a OMS e a Opas continuarão apoiando o Brasil para que as vacinas e os medicamentos cheguem à população do Brasil."

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Espinal elogiou a "tradição de solidariedade e de pan-americanismo" do Brasil ao longo dos anos.

"O Brasil tem uma história de cooperação, produz vacinas e as facilitam a muitos dos estados-membros [da Opas]. [...] Então, a organização estará pronta para continuar apoiando o Brasil. Não vamos permitir que vacinas ou novas medicações não cheguem ao Brasil, porque a organização estará pronta para facilitar essa chegada."

O diretor também disse que o SUS é "uma joia" que o Brasil tem e que é fundamental no combate à covid-19.

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Dados da pandemia

Questionado sobre uma possível recontagem do número de brasileiros mortos pela covid-19, que chegou a ser defendida pelo governo, Espinal disse que qualquer país pode revisar seus dados, e apontou como exemplo a China e o estado de Nova York (EUA).

Por outro lado, ele defendeu a transparência das informações e disse que o Brasil é tem um "amplo sistema de vigilância" com muita informação.

"A revisão dos dados é uma prerrogativa que alguns países tomaram, mas sugerimos que continuem a reportar os dados."

Na semana passada, o Ministério da Saúde deixou de exibir dados acumulados de casos de covid-19 e óbitos. Após a polêmica, a pasta deve voltar a atualizar a plataforma como antes.