Saúde Brasil deve comprar mais de um tipo de vacina. Poderei escolher?

Brasil deve comprar mais de um tipo de vacina. Poderei escolher?

Chance de poder é mínima, porque não haverá vacina para todos; grupos prioritários receberão a vacina de Oxford, conforme plano do ministério

  • Saúde | Brenda Marques, do R7

Grupos prioritários irão tomar a vacina de Oxford, prevê plano de imunização

Grupos prioritários irão tomar a vacina de Oxford, prevê plano de imunização

Bagus Indahono/EFE/EPA - 22.10.2020

O Brasil possui negociações em torno de 350 milhões de doses de vacinas contra a covid-19, de acordo com o plano de vacinação contra a covid-19 apresentado pelo governo federal. Portanto, o país deve comprar mais de um tipo de imunizante, mas a chance de cada brasileiro poder escolher qual vacina irá tomar é mínima, segundo o pediatra Juarez Cunha, presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).

Ele destaca que, como já é sabido, no começo não haverá doses suficientes para toda a população e as estratégias de vacinação vão ser elaboradas de acordo com os imunizantes que estiverem disponíveis no país.

"Mesmo esse quantitativo que o ministério está programando, não é suficiente para a população em geral. Teremos um número bem inferior ao necessário. Eu acho pouco provável que os locais tenham mais de uma opção, mas se tiverem, talvez [as pessoas] possam escolher", afirma.

No entanto, o plano de imunização apresentado nesta semana pelo Ministério da Saúde já prevê que os grupos prioritários recebam a vacina desenvolvida em parceria pela empresa AstraZeneca e a Universidade de Oxford, portanto, eles não poderão escolher.

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As vacinas previstas no plano de imunização

Esse é o único imunizante específico para o qual o governo federal já tem um acordo fechado, com a garantia de 220 milhões de doses até o final de 2021: 100 milhões serão entregues até o primeiro semestre e o restante será fabricado nacionalmente a partir de julho, por meio da transferência de tecnologia para Instituto Bio-Manguinhos, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Além disso, disso, foram asseguradas mais 42,5 milhões de doses por meio do Covax Facility, aliança global liderada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) que tem o objetivo de garantir aos países em todo o mundo o acesso equitativo a vacinas seguras e eficazes contra a covid-19. Segundo a pasta, isso permite que o Brasil tenha, ao menos, mais nove imunizantes entre suas opções.

O plano de vacinação também informa que foram firmados "memorandos de entendimento, que expõem a intenção de acordo" e podem sofrer alterações para a aquisição de seis vacinas: Pfizer/BioNTech, Janssen, Instituto Butantan, Bharat Biotech, Moderna, Gamaleya.

De acordo com o texto, as negociações com as duas primeiras candidatas são as mais avançadas. A previsão é que sejam adquiridas 70 milhões de doses da vacina desenvolvida pela Pfizer com a BioNtech e 38 milhões de doses do imunizante da Jassen ao longo de 2021.

Na última quinta-feira (17), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, confirmou que existem negociações com o Instituto Butantan, em São Paulo, para adquirir um primeiro lote de 46 milhões de doses da CoronaVac.

Além de conseguir vacinas em quantidade suficiente para proteger toda a população, Cunha cita outro desafio que será preciso enfrentar: como a maioria delas exige a aplicação de duas doses, será preciso garantir que as pessoas recebam o mesmo produto em ambas as vezes, pois ainda não existem pesquisas sobre os efeitos da intercambialidade de imunizantes.

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"A gente não sabe se a pessoa ficaria protegida e nem se seria seguro. Enquanto não tivermos estudos liberando o uso de duas vacinas [na mesma pessoa], temos que ser cuidadosos", explica.

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