Sarampo
Saúde Brasil está entre os 10 países que causam surto global de sarampo

Brasil está entre os 10 países que causam surto global de sarampo

Levantamento da Unicef divulgado nesta quinta-feira (28) mostra que Brasil é líder entre países que haviam se declarado livres da doença, com 10 mil casos

Brasil está entre 10 países responsáveis por surto global de sarampo

A vacina tríplice viral protege contra o sarampo, caxumba e rubéola

A vacina tríplice viral protege contra o sarampo, caxumba e rubéola

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Dez países, apenas, são responsáveis por 74% do aumento de casos de sarampo no mundo. Com mais de 10 mil casos registrados, o Brasil está entre os três primeiros, atrás das Filipinas e da Ucrânia, líder com 30 mil casos no ano passado.

Os dados fazem parte de um estudo divulgado nesta quinta-feira (28) pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

Os demais países são Iêmen (6.641), Venezuela (4.916), Sérvia (4.355), Madagascar (4.307), Sudão (3.496), Tailândia (2.758) e França (2.269).

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A agência da ONU ressalta que os “níveis alarmantes de sarampo no mundo estão sendo puxados por vários países que haviam sido declarados livres da doença”. Nesse quesito, o Brasil é o principal deles, com o maior número de casos, 10.262. O país havia recebido, em 2016, a certificação de eliminação da circulação do vírus da OMS (Organização Mundial da Saúde), que declarou a região das Américas livre do sarampo.

“Não importa como e por onde o vírus entrou no Brasil. Se começaram a haver casos no país, é porque a cobertura vacinal, principalmente das crianças, não estava boa”, afirma Cristina Albuquerque, Chefe de Saúde e HIV do Unicef no Brasil.

A reintrodução do vírus é atribuída ao surto da doença na Venezuela, que faz fronteira com o país, segundo a Ministério da Saúde.

Cobertura vacinal baixa em crianças é preocupação

Devido ao retorno da doença ao Brasil, o ministério fez, de agosto a setembro do ano passado, a Campanha Nacional de Vacinação contra o sarampo e a poliomielite. O público-alvo eram crianças entre 1 e 5 anos incompletos.

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A campanha alcançou 98% da cobertura vacinal do público-alvo, no entanto, no grupo de 1 ano, a meta não foi atingida, ficando em 92% — o recomendado pela OMS é de no mínimo 95%.

A principal preocupação, segundo a Unicef, são ainda as crianças abaixo de 1 ano de idade que não são vacinadas — a não ser em casos de surto em que a idade para vacinação é reduzida para os 6 meses de idade, como ocorre em Roraima e no Amazonas. “Esses bebês são os mais vulneráveis, pois apresentam risco de desenvolver a doença em sua forma mais grave”, explica Cristina.

“De toda forma, o sarampo não é bom em nenhuma idade. Às vezes, passada a fase aguda da febre podem aparecer complicações muito graves, como pneumonia e encefalite”, completa.

A chefe de Saúde do Unicef ressalta que, além de bater a meta da cobertura vacinal na campanha, é preciso alcançar também a meta da cobertura vacinal de rotina. “Essa é a mais importante”, diz ela. “A campanha só acontece quando as coisas não estão indo bem na rotina, é como um recall. Tanto que em 2016, quando não haviam casos, não teve campanha”.

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Segundo o Ministério da Saúde, os dados da cobertura de rotina referentes a 2018 ainda não foram fechados. Em 2017, essa cobertura foi de 85%, apenas. “Esse dado de 2017 já demonstra a fragilidade a que a população estava submetida”, diz.

Entre as causas da volta e do crescimento do sarampo no Brasil, Cristina assinala como hipóteses a percepção de pouco risco, inclusive por profissionais de saúde, devido à eficácia do programa nacional de imunização, o horário de funcionamento dos postos de saúde que coincide com o período em que as pessoas estão trabalhando, e às fake news em relação a vacinas, de maneira geral.

“O Brasil sempre teve um programa nacional de imunização muito forte, com um calendário de 19 vacinas gratuitas. É preciso fazer um estudo dos determinantes sociais e culturais dessa queda na procura por vacinas para que se possa entender melhor esse fenômeno”, afirma.

Brasil é líder na volta do sarampo

O número de casos em países que registraram a volta do sarampo no ano passado é bem inferior ao do Brasil, que ultrapassou os 10 mil, sendo 321 na Moldávia, 203 em Montenegro, 188 na Colômbia, 59 no Timor Leste, 38 no Peru, 23 no Chile e 17 no Uzbequistão.

De acordo com o levantamento, 98 países reportaram mais casos de sarampo em 2018 do que em 2017, o que impediu, segundo a Unicef, avanços contra uma doença de fácil prevenção – já que conta com a vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola –, mas com grande potencial de morte.

Os Estados Unidos estão entre esses países, onde o número de casos aumentou seis vezes nesse período, chegando a 791 registros. “Os surtos no mundo não estão ligados à pobreza. Houve surto, por exemplo, em Nova York e no Estado de Washington”, diz.

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A Unicef descreve o sarampo como uma doença mais contagiosa que o ebola, a tuberculose e a gripe. “O vírus pode ser contraído até duas horas depois de a pessoa infectada ter saído do local. Ele é transmitido pelo ar e infecta o trato respiratório, podendo matar crianças malnutridas e bebês que ainda são muito novos para serem vacinados. Uma vez infectado, não há um tratamento específico para o sarampo, por isso a vacinação é uma ferramenta para salvar a vida das crianças”, afirmou por meio de nota.

Apenas três Estados brasileiros apresentam transmissão ativa do sarampo, segundo o último boletim epidemiológico da doença do Ministério da Saúde, de 14 de fevereiro: Amazonas, Roraima e Pará. No ano passado, haviam casos em todas as regiões do país.

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