Coronavírus

Saúde Brasil tem menor ocupação de leitos de UTI desde outubro de 2020

Brasil tem menor ocupação de leitos de UTI desde outubro de 2020

Fiocruz aponta que pela 1ª vez não há estados com taxas de ocupação de UTI covid-19 para adultos iguais ou superiores a 80%

  • Saúde | Do R7

Leitos de UTI vazios no Hospital Cachoeirinha, em São Paulo

Leitos de UTI vazios no Hospital Cachoeirinha, em São Paulo

MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO- 2.6.2021

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) divulgou, nesta quarta-feira (11), um boletim especial do Observatório Covid-19 em que aponta que, pela primeira vez desde outubro de 2020, nenhum dos 26 Estados e Distrito Federal apresentam taxas de ocupação de leitos de UTI para covid-19 para adultos no SUS (Sistema Único de Saúde) iguais ou superiores a 80%.

Outro dado importante na comparação ao mês referido, é que existem menos Estados na situação de atenção do que no ano passado. São cinco estados na zona de alerta intermediária (com taxas entre 60% e 80%), sendo que dois deles se devem pela redução de leitos destinados à covid-19. Os dados, obtidos na segunda-feira (9), indicam que se trata do melhor cenário desde que o Observatório passou a acompanhar esse índice, em julho de 2020.

Os pesquisadores da Fiocruz associam o cenário ao avanço da vacinação no Brasil, mas a atenção deve ser mantida, já que os números de novos casos e de mortes continuam altos. "Considerando que ainda são altos os níveis de transmissão de casos e óbitos, a vacinação deve ser ampliada e acelerada, além de combinada com o uso de máscaras e distanciamento físico, para manutenção e avanços nos resultados", apontou o documento. 

Mato Grosso e de Goiás registraram as maiores taxas de ocupação, com 79% e 78% dos leitos de UTI para adultos destinados à covid-19 ocupados, respectivamente. Enquanto 14 Estados apresentam taxas inferiores a 50%.

O Rio de Janeiro, que concentra o maior número de casos da variante Delta no país, apresentou crescimento do indicador nas últimas duas semana e tem 67% dos leitos ocupados.

Em relação às capitais, a cidade do Rio de Janeiro (97%) e Goiânia (92%) são as mais preocupantes, mantendo taxas muito críticas há semanas.

O relatório observa, ainda, que a melhora nas taxas de ocupação de leitos acontece ao mesmo tempo de uma redução significativa dos leitos de covid-19 no Distrito Federal e em muitos Estados. "Apesar de menos leitos estarem disponíveis, as taxas de ocupação seguem em declínio”, explicam os cientistas.

Além da queda de internações, foi constatado que o número de mortes sofreu queda de 1,1% em relação à semana anterior. A incidência de novos casos diminuiu 0,8% por dia.  A diferença entre a velocidade na queda da mortalidade e a incidência de casos é atribuída à vacinação, com a infecção produzindo menor impacto sobre hospitalizações e óbitos. Como consequência, de acordo com o estudo, foi observada uma pequena redução da letalidade, agora em 2,7%.

O boletim ressalta, mais uma vez, a importância de ampliar a vacinação, com esquema vacinal completo, combinado com vigilância em saúde, uso de máscaras e medidas de distanciamento físico e social. 

“Ampliar a vacinação completa para todos os elegíveis torna-se fundamental neste momento, incluindo campanhas e busca ativa para os que ainda não tomaram a segunda dose das vacinas que envolvem duas doses, como a Coronavac, a  AstraZeneca e a Pfizer”, destacam os pesquisadores.

“Embora as vacinas venham claramente contribuindo para a redução de casos graves, internações e óbitos no país, o surgimento e crescimento da presença de novas variantes de preocupação, como a Delta, deve manter os serviços de vigilância em saúde em alerta, com amplo uso de testes, detecção de casos, isolamento e quarentena”, recomendam.

A média de número de novos casos é 33.400 por dia e de óbitos, 910 por dia. Ambos marcadores são considerados elevados. Outro fator de atenção é que a taxa de positividade dos testes segue alta, o que mostra a intensa circulação do vírus.

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