Campanha para imunizar 20 milhões de pessoas começa nesta quinta (25)

São Paulo e Rio de Janeiro contabilizam 21 e 7 mortes, respectivamente, por febre amarela desde julho do ano passado

Veja como vai ser a vacinação no RJ e em SP

Os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro anteciparam a campanha de vacinação fracionada para conter o avanço da doença o mais rápido possível. Programada para acontecer em fevereiro, a campanha começa nesta quinta-feira, dia 25.

No estado do Rio de Janeiro, mais de dez milhões de pessoas devem ser vacinadas em 15 municípios. Na capital, desde março do ano passado a vacinação é oferecida em todas as unidades de Atenção Primária, tanto nas clínicas da família quanto nos centros municipais de saúde. Durante a campanha, o trabalho vai ser intensificado, mas a vacinação vai continuar sendo oferecida durante todo o ano.

Em São Paulo, moradores de 54 municípios vão ser imunizados. A previsão é que 8,3 milhões de pessoas sejam vacinadas até o dia 17 de fevereiro.

Na capital, a vacinação vai ser dividida em 5 fases. A primeira, nas áreas consideradas de risco, começou no ano passado na zona Norte, em alguns distritos da zona Sul e em Raposo Tavares, na zona Oeste. A partir desta quinta, a vacinação nessas regiões continua, mas em um número menor de postos. De acordo com a prefeitura, isso vai ser feito porque a maioria das pessoas que moram nesses locais já foram imunizadas.

A segunda fase começa no dia 25, junto com o início da campanha. Nesta etapa, serão vacinados os moradores de 20 distritos. Entre eles, Jabaquara, Sacomã, Cidade Ademar e Cursino, que foram incluídos na última terça-feira depois que o governo do estado confirmou a morte de um macaco bugio por febre amarela no Zoológico, zona Sul de São Paulo.

Nesta segunda fase, a vacinação só vai ser feita quando o morador apresentar uma senha que vai ser distribuída nas casas pelos agentes de saúde. As senhas não vão ser entregues nas unidades de saúde.

As fases 3, 4 e 5 incluem os outros distritos da capital, mas ainda não tem data confirmada, mas todo o processo deve estar finalizado até o fim do mês de maio.

Entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano, foram registrados 12 casos de febre amarela na capital, 7 pessoas morreram. De acordo com a prefeitura, todos os casos são importados de outros estados ou municípios: 10 de Minas Gerais, 1 de Monte Alegre do Sul, 8 de Mairiporã, 3 de Atibaia e 1 de Caieiras.

Ainda de acordo com a prefeitura de são Paulo, uma pessoa morreu por doença viscerotrópica, causada pelo vírus da vacina. Outras 3 mortes ainda estão em investigação.

A reação à vacina é rara, pode atingir uma a cada 500 mil pessoas que tomaram a dose. Isso acontece por causa de alguma deficiência imunológica que faz com que a pessoa, ao ser vacinada, acabe desenvolvendo a doença sem ter sido contaminada pelo mosquito transmissor. Por isso, pessoas com doenças autoimunes não podem se vacinar, além de crianças com menos de 9 meses, pessoas com mais de 60 anos, pacientes em tratamentos de radioterapia, quimioterapia ou com uso de corticoide, diabéticos com altos índices de açúcar no sangue e pessoas com alergia severa a ovo. Gestantes e mulheres que amamentam devem passar por avaliação médica.

Vacina para quem vai viajar
A partir do dia 29 de janeiro, 17 unidades de saúde de São Paulo vão disponibilizar a dose fracionada da vacina contra a febre amarela para quem vai viajar para outro estado do Brasil.

Quem vai viajar para outro país que exige a vacina, três unidades vão fazer a emissão do Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, o CIVP: A UBS Jardim Miriam II, na Cidade Ademar, a UBS Jardim Edite, no Itaim Bibi, e Hospital Dia da Rede Hora Certa da Penha. Nesses casos, será administrada a dose completa da vacina.

Dose fracionada protege?
A organização Mundial da Saúde recomenda o fracionamento da vacina quando há o aumento de casos e quando existe a necessidade de imunizar um grande número de pessoas para conter a expansão da doença.
De acordo com o Ministério da Saúde, a dose fracionada tem a mesma capacidade de proteção da dose padrão, mas por um período de tempo menor.  A dose padrão tem 0,5 ml e protege por toda a vida, enquanto que a dose fracionada é de 0,1 ml e protege por pelo menos oito anos, segundo estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fiocruz. A dose fracionada é recomendada para adultos e crianças com mais de dois anos.