Saúde Câncer colorretal só apresenta sintomas como dor, diarreia e sangramento já em estágio avançado

Câncer colorretal só apresenta sintomas como dor, diarreia e sangramento já em estágio avançado

Por ser silenciosa, especialistas chamam atenção para necessidade de exames preventivos

Câncer colorretal só apresenta sintomas como dor, diarreia e sangramento já em estágio avançado

Quando os sintomas começam a aparecer, o câncer colorretal já está em estágio avançado

Quando os sintomas começam a aparecer, o câncer colorretal já está em estágio avançado

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Perigoso, o câncer de colorretal é uma doença silenciosa que só começa a manifestar sintomas, em média, dez anos depois do seu surgimento já com o quadro bem avançado da doença. Diarreias, dor e dificuldades para ir ao banheiro, fraqueza são apenas alguns dos sintomas da doença — segundo tipo de câncer que mais mata mulheres (perde para mama) e o terceiro nos homens (perde para próstata e pulmão). Por isso, é necessário realizar exames preventivos a partir dos 50 anos. 

Segundo informações do Inca (Instituto Nacional do Câncer), 16.697 mortes por câncer colorretal foram registradas em 2015 e, em 2017, estimativas mostram que 34.280 novos casos devem surgir em todo o Brasil.

Segundo o coloproctologista Luis Romagnolo, do Hospital de Câncer de Barretos, o câncer colorretal é uma lesão que aparece no intestino muito parecida com uma verruga, localizada no reto ou no cólon.

— Ela é uma degeneração tanto da mucosa do cólon quanto da mucosa do reto, uma alteração nas células que crescem no intestino. A troca de células é normal, todo mundo tem. Mas às vezes o que pode acontecer é que algumas delas se transformem em células malignas.

De acordo com o proctologista, existem duas formas de a doença surgir. A primeira ocorre quando surgem pólipos adenomatosos no intestino, um pequeno grupo de células que formam o revestimento do cólon mas que ainda não se configuram como câncer.

— Esse período de transformação de um pólipo em um tumor maligno demora, em média, 10 anos. Mas existe uma frase na colonoscopia que diz: “Pólipo visto é pólipo tirado”. A não ser que sejam inúmeros pólipos, uma doença que a gente chama de polipose, isso sempre é feito. A maioria dos colonoscopistas já tiram logo que ele é identificado.

Já no caso da segunda, o intestino é afetado diretamente pelo câncer. Em outras palavras, o organismo “pula” a fase de surgimento de pólipos. Quando isso acontece, a doença é chamada de câncer denovo.

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Sintomas podem variar 

Quando os pólipos se transformam em câncer, eles passam a ser chamados de tumores e o principal sintoma da doença é a perda de peso, e dependendo do local afetado do intestino, os efeitos podem ser ainda mais específicos, conforme explica o oncologista clínico Manoel Carlos Leonardi de Azevedo Souza, da BP (A Beneficência Portuguesa de São Paulo) .

— As pessoas que têm câncer na parte esquerda do cólon transverso, no cólon descendente ou no sigmóide, vão apresentar obstrução intestinal, dor para defecar e dificuldade ao ir ao banheiro. Mas se os tumores estiverem na parte direita do cólon transverso, cólon ascendente ou no ceco, os sintomas podem ser diarreia e sangramento.

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Fatores de risco e prevenção

O  diagnóstico precoce do câncer viabiliza o tratamento e ajuda a pessoa a ser tratada em um tempo mais hábil, com a chance até de ela fazer uma cirurgia e não precisar de quimioterapia.

— Isso vai me dizer em qual estadiamento o paciente vai ficar em uma escala de 1 a 4. Quanto mais próximo do zero, menor a chance de a doença progredir. Não é o quanto o câncer é mais bonzinho ou menos, é o fato de ele ter sido diagnosticado mais precocemente ou não.

A recomendação médica de exames para verificar a existência de câncer colorretal é que eles sejam feitos a partir do 50 anos, com frequência entre 5 e 10 anos tanto para o sexo feminino quanto o masculino. O mais conhecido e também mais eficiente deles é a colonoscopia, mas por conta da complexidade do exame, o coloproctologista do Hospital de Câncer de Barretos, afirma que uma das opções que serve como uma primeira triagem é o exame de sangue oculto de fezes.

— É um exame mais fácil de fazer e que também é preconizado pelo SUS. Então a gente faz esse exame e ele sendo positivo, o paciente está eleito para fazer uma colonoscopia.

Mas por conta de a colonoscopia ser muito parecida com o exame de toque retal, existe um tabu quanto à realização do procedimento para os homens. A diferença de um para o outro, segundo Romagnolo, é que a colonoscopia é feita com o paciente dormindo, enquanto no exame de toque retal ele fica acordado.

— Para resolver isso, a gente conversa com o paciente e fala que é uma questão de prevenção, é uma exame que você é totalmente sedado. Não tem nada a ver com alguma coisa exposta a público, nada disso.

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Esse problema ocorre exclusivamente com os homens e o especialista explica que isso se deve também pelo que costume que as mulheres precisam ter de fazer exames preventivos.

— Assim como a mulher faz exame de colo de útero, os dois têm que fazer exame de colonoscopia. Mas as mulheres, pelo fato de terem se acostumado desde a infância com os exames preventivos ginecológicos, têm mais facilidade de se adaptarem a esse tipo de tratamento. Já o homem, não. Ele é criado naquele machismo. Então, a conversa que a gente tem é com relação à prevenção. Quanto mais cedo a doença for descoberta, mais fácil vai ser fazer o tratamento.

Fatores e risco e alimentação

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer são obesidade, diabetes, o alto consumo de carnes vermelhas, alcoolismo e tabagismo, além dos próprios fatores genéticos no caso de pessoas que possuem histórico familiar de câncer, segundo Souza.

O médico ainda complementa que "uma dieta baseada em fibras, com frutas, verduras e legumes, responsáveis por ajudar o intestino a funcionar regularmente, com bastante líquido e também a prática de exercícios podem diminuir os riscos" do câncer.

*Caíque Alencar, do R7