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Saúde Cientistas descobrem paralisia do sistema de defesa em casos de covid

Cientistas descobrem paralisia do sistema de defesa em casos de covid

Estudo feito por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, revela desvios e lapsos imunológicos em pacientes infectados

Resíduos bacterianos são associados ao agravamento da doença

Resíduos bacterianos são associados ao agravamento da doença

Reprodução/NIAID-RML

Um achado inédito de pesquisadores dos Estados Unidos e de Hong Kong pode ser o caminho para entender por que algumas pessoas com covid-19 têm quadros leves enquanto outras desenvolvem formas graves da doença.

Os resultados do artigo, assinado por pesquisadores da Universidade de Stanford, na California, e de outras instituições, foram publicados nesta semana na revista Science e revelam desvios e lapsos imunológicos que parecem diferenciar a severidade dos casos.

Os cientistas encontraram níveis elevados de resíduos bacterianos, como DNA bacteriano e materiais da parede celular, no sangue de pacientes com covid-19 grave.

Segundo o artigo, quanto mais resíduos houver, mais doente a pessoa fica, porque há mais substâncias causadoras de inflamação circulando no sangue.

O indicativo é que essas substâncias — normalmente presentes apenas em lugares específicos, como intestino, pulmões e garganta — podem cair na corrente sanguínea durante a infecção pelo novo coronavírus e desencadear uma inflamação em outros órgãos.

Essa "tempestade" inflamatória é, em muitos casos, responsável pela piora do estado de saúde das pessoas infectadas.

Paradoxalmente, o grupo também descobriu que células-chave do sistema de defesa em pacientes com quadros graves ficavam cada vez mais paralisadas conforme a doença piorava.

Em vez de serem estimuladas pela presença de vírus ou bactérias, essas células normalmente vigilantes permaneceram funcionalmente lentas.

"Em resumo, esses resultados sugerem que a infecção por SARS-CoV-2 [vírus causador da covid-19] resulta em uma dicotomia espacial na resposta imune inata, caracterizada pela supressão da imunidade inata periférica, diante das respostas pró-inflamatórias relatadas no pulmão", escreveram os pesquisadores.

Os autores observam que, apesar de ainda ser um desafio entender por que a doença se agrava em determinadas pessoas, o estudo traz algumas pistas importantes.

Um estudo alemão, publicado na semana passada, também sugeriu um entendimento parecido. O grupo concluiu que alguns pacientes com covid-19 podem apresentar um "descarrilamento" do sistema imunológico.

Em quadros mais severos, células de defesa (neutrófilos e monócitos), que integram a primeira linha de defesa do organismo, não funcionavam adequadamente.

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