Com 20 casos confirmados, “prima da dengue” pode incapacitar por um ano e meio

Febre Chikungunya causa dores intensas e é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti

A Chikungunya é transmitida pelo Aedes aegypti

A Chikungunya é transmitida pelo Aedes aegypti

Agência Brasília/Divulgação

Conhecida como “prima da dengue” por provocar sintomas como febre alta, cansaço, dores de cabeça e nas articulações, e ser transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti (o mesmo da dengue) e Aedes albopictus, a febre Chikungunya já foi diagnosticada em 20 pessoas no Brasil. A doença não é mortal, mas pode desencadear artrite aguda e incapacitar os afetados por até um ano e meio.

Secretaria de Saúde do DF investiga caso de febre Chikungunya em missionária brasileira

Segundo o infectologista Lucas Chavez Netto, do Hospital Sírio-Libanês, a dor nas articulações é a característica mais marcante da febre.

— A Chikungunya causa dores e desconforto intenso. Essa dor se manifesta tanto nas pequenas articulações do corpo como nos dedos, punhos e tornozelos, quanto nos joelhos e ombros.  

Histórico e principais efeitos

A doença foi detectada pela primeira vez na década de 1970, na África, e registrou surtos esporádicos até sofrer uma mutação em 2005, que facilitou sua entrada e transmissão pelo mosquito Aedes albopictus. A epidemia mais famosa de Chikungunya aconteceu na Índia em 2006, quando foram confirmados mais de 1 milhão de casos, sem registro de nenhuma morte.  

SP identifica 6 casos de infecção por Chikungunya

Netto explica que a febre tem uma baixa mortalidade porque não provoca queda tão acentuada das plaquetas no sangue e, portanto, os riscos de hemorragia são pequenos. Em contrapartida, a Chikungunya pode desencadear artrite aguda.

— Já foram diagnosticados casos de inflamação e artrite que duraram um ano e meio.

Assim como no caso da dengue, não existe um tratamento para Chikungunya. Os médicos administram medicação para combater sintomas e ajudar os pacientes a aguentarem a dor. Pacientes diagnosticados não precisam ficar internados.

Procurada pelo R7, a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde informou que todos os registros da doença no Brasil “são casos importados de pessoas que viajaram para países com transmissão da doença". Desse total, 17 foram diagnosticados em militares e missionários brasileiros que regressaram de missão no Haiti e um caso de um brasileiro que viajou para a República Dominicana. Os outros são de dois haitianos que viajaram ao Brasil, mas já regressaram ao seu país de origem.

O ministério também ressalta que a febre costuma durar de três a 10 dias, e sua letalidade, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde, é rara e menos frequente que nos casos de dengue. 

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), o vírus já foi identificado em 19 países desde 2004. Porém, só no final de 2013 foi registrada transmissão autóctone (dentro do mesmo território) em vários países do Caribe e, em março de 2014, na República Dominicana. Até então, só África e Ásia tinham a circulação do vírus.