Novo Coronavírus

Saúde Com 7,5 mil casos de covid-19, Chile defende 'quarentena estratégica'

Com 7,5 mil casos de covid-19, Chile defende 'quarentena estratégica'

Governo chileno defende sua estratégia de implementar tipos diferentes de quarentenas nas cidades e comunas, enquanto casos de coronavírus crescem

  • Saúde | Da EFE

Funcionários fiscalizam ônibus em estrada chilena em meio à pandemia

Funcionários fiscalizam ônibus em estrada chilena em meio à pandemia

Alberto Valdés / EFE - arquivo

O governo do Chile informou nesta segunda-feira (13) que os casos do novo coronavírus no país chegaram a 7.525 e defendeu a estratégia de combate à pandemia que vem adotando, que envolve a declaração de quarentenas específicas em diferentes comunas ou cidades, em vez de determinar o confinamento total do país inteiro.

Leia também: Após pandemia, 'vida normal' vai demorar a voltar, diz pesquisadora

"A quarentena estratégia, adotada pelo presidente Sebastián Piñera, é a mais apropriada para o nosso país e acredito que, em parte, explica essa estratégia que certas previsões muito catastróficas que vimos no início dessa epidemia não estão sendo cumpridas", disse o ministro da Saúde do Chile, Jaime Mañalich, em entrevista coletiva diária.

O país vizinho, para o qual os especialistas esperam um pico de pandemia para entre o final deste mês e o começo do próximo, registrou 312 novos casos e duas novas mortes nas últimas 24 horas, o que é o menor número em 11 dias e eleva o número total de vítimas para 82.

Desde que o primeiro caso foi detectado no sul do país, em 3 de março, 2.367 pessoas já se recuperaram e mais de 85 mil testes foram realizados. Atualmente, 387 pacientes estão internados, dos quais 333 requerem ventilação mecânica e 100 estão em estado considerado crítico.

Estratégia questionada

A estratégia que o Chile tem seguido desde o início da pandemia se baseia na decisão de confinar ou liberar diferentes cidades e comunas, dependendo da evolução do número de infecções por quilômetro quadrado.

Nesta segunda-feira, por exemplo, foi suspenso o confinamento em três comunas do leste de Santiago que estavam em quarentena há duas semanas - Providencia, Lo Barnechea e Vitacura -, medida que não convence os prefeitos e tem provocado críticas em diferentes setores.

A consultoria Plaza Pública Cadem revelou nesta segunda-feira em uma pesquisa que 79% dos chilenos desaprovam a suspensão das quarentenas nessas regiões, que foram as principais fontes de contágio no início da pandemia e onde a população pode agora circular sem restrições, embora negócios não essenciais permaneçam fechados.

"O confinamento obrigatório produz uma alteração de tal magnitude que tem de ser usada com muita prudência e sabedoria. Mas, de forma alguma, significa que estamos suspendendo o alerta. O que vivemos é muito importante, os casos vão continuar aumentando", disse o ministro durante a coletiva.

Mañalich afirmou ainda que novas medidas serão anunciadas nesta terça-feira e que o número de comunas no país que será colocado em quarentena é muito maior do que o número que deixará o confinamento.

O Chile está em estado de emergência, com toque de recolher a partir das 22h, com as aulas suspensas até maio e com fronteiras e negócios que não são de necessidades básicas fechados.

Conparação com a Argentina

O governo chileno foi obrigado a explicar sua estratégia nos últimos dias, especialmente depois que o presidente da Argentina, Alberto Fernández, comparou os números dos dois países quanto ao coronavírus na última sexta. Em território argentino, foram 2.208 casos e 95 mortes até este domingo.

"Somos o país latino-americano que mais testa por milhão de habitantes, isso é dez vezes o número que a Argentina faz. Não quero comparar um país com o outro porque no final temos que esperar que a pandemia passe para ver qual é o resultado dessas estratégias", respondeu Mañalich.

Últimas