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Saúde Com diagnóstico difícil, asma grave é fator de risco para a covid-19

Com diagnóstico difícil, asma grave é fator de risco para a covid-19

Infecções respiratórias são os gatilhos mais comuns para as crises de exacerbação características da doença; principal sintoma é falta de ar

  • Saúde | Aline Chalet, do R7*

A asma é uma doença crônica que costuma aparecer na infância

A asma é uma doença crônica que costuma aparecer na infância

Pixabay

A asma é um dos fatores de risco para covid-19, ou seja, asmáticos possuem maior chance de ter um quadro clínico grave caso seja infectado pelo novo coronavírus, segundo o pneumologista Álvaro Cruz, da fundação ProAr. Além disso, a infecção viral é a principal causa de crise de exacerbação, quando o paciente apresenta os sintomas característicos da asma, como tosse, falta de ar, pressão no peito e chiado, ainda de acordo com o médico.

“As causas mais comuns das crises de asma são as infecções respiratórias, por isso se supõe que a infecção pelo coronavírus seja um problema sério com asma, mas ainda não existe um estudo que comprove isso", afirma.

O diagnóstico de asma grave leva em média quatro, segundo pesquisa da Asbag (Associação Brasileira de Asma Grave), realizada em abril e divulgada em maio deste ano. Raissa Cipriano, presidente da Asbag, afirma que, em alguns casos, o diagnóstico pode levar até 10 anos.

“Isso acontece porque a asma é muito negligenciada, tanto pelo paciente, quanto pelos profissionais de saúde”, completa.

Ele acrescenta que, para pessoas com asma leve e controlada, não há evidências científicas de que exista maior risco de desenvolver um quadro grave de covid-19. “Se você tem asma, precisa cuidar, seguir o tratamento adequadamente, se faz tempo que não vai ao médico, faça uma reavaliação, mesmo que for por telemedicina. A internação é inevitável quando há crise de exacerbação e, com o sistema de saúde lotado por conta do coronavírus, o melhor é evitar.”

O médico acrescenta que raramente uma pessoa que tem asma bem tratada precisa de hospitalização. "Logo no primeiro ano de acompanhamento do ProAr tivemos uma redução de 90% de hospitalização. O que a gente vê é muita gente sendo tratada apenas na emergência”.

A asma é uma doença inflamatória crônica e que não tem cura, apesar disso, tem controle e, muitas vezes, pode ter um período de remissão, mas voltar depois. “É normal os sintomas melhorarem na adolescência, mas ela volta na segunda fase da vida adulta”, afirma Raissa.

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“A asma grave se diferencia da tradicional, pois, mesmo com doses altas de medicação, ela não é controlada e aí precisa partir para os corticoides imunobiológicos”, explica Cruz.

O tratamento da doença é feito com corticoide inalável, conhecido por bombinha, e broncodilatadores, também inaláveis. Nos casos graves, também são utilizados os corticoides imunobiológicos.

“Esses medicamentos foram desenvolvidos a partir do conhecimento dos mecanismos imunológicos da doença. Ele combate a molécula que provoca a inflamação dos brônquios e para cada pessoa vai ter um tipo mais adequado de medicamento.”

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Um outro estudo realizado pela fundação ProAr mostrou que a asma está muito associada a comorbidades. Todos os participantes da pesquisa tinham pelo menos uma e 70% tinham pelo menos três.

As mais comuns eram rinite e doença do refluxo gastroesofágico. Outra comorbidade comum, apontadas pelo pneumologista, que também é fator de risco para a covid-19, é a obesidade.

“Nós não sabemos o que vem primeiro. Normalmente é uma relação bicausal. A pessoa poderia já ter uma tendência à obesidade que levou a uma asma mais forte, mas o uso de corticoide contribui para o ganho de peso.”

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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