Saúde Com doença sem cura nos olhos, vice-miss Brasil diz que tropeça todos os dias e evita sair à noite

Com doença sem cura nos olhos, vice-miss Brasil diz que tropeça todos os dias e evita sair à noite

No Dia Mundial da Visão, Janaina Barcelos revela os desafios de viver com uma doença ocular

Com doença sem cura nos olhos, vice miss Brasil diz que tropeça todos os dias e evita sair à noite

Pensar que a doença pode prejudicar a minha carreira e o meu futuro é uma preocupação precipitada, diz miss MG

Pensar que a doença pode prejudicar a minha carreira e o meu futuro é uma preocupação precipitada, diz miss MG

Divulgação

No Dia Mundial da Visão, celebrado nesta quinta-feira (10), a vice miss-Brasil 2013 Minas Gerais, Janaina Barcelos, de 25 anos, revela as dificuldades que enfrenta com uma doença que diminui o campo visual progressivamente até levar à cegueira.

— A cada seis meses, percebo piora da visão. Evito sair à noite, especialmente em lugares mais escuros, como baladas, porque tenho muita dificuldade para enxergar. Acho desconfortável e constrangedor.

A modelo, que conquistou o segundo lugar no concurso Miss Brasil, diagnosticou a retinose pigmentar — doença degenerativa que afeta a retina — há dois anos. O primeiro sinal que a fez desconfiar de que algo estava errado com a visão foi tropeçar na rua.

— Tropecei muitas vezes na rua e, no dia que chutei um hidrante, resolvi procurar o médico. Até hoje tropeço todos os dias, mas nunca caí na passarela.

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Janaína, que atualmente cursa a faculdade de jornalismo, conta que para desfilar precisa decorar os caminhos e obstáculos da passarela. Apesar de ser uma doença hereditária, a modelo garante que não há ninguém na família com o problema.

De acordo com o oftalmologista Milton Ruiz Alves, presidente do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), a retinose pigmentar atinge 1 em cada 4.000 pessoas e a maioria dos pacientes recebe o diagnóstico entre 30 e 40 anos.

— Os sinais que confirmam a doença são dificuldades de adaptação ao escuro, alteração do campo de visão periférico e de cores, especialmente azul e amarelo, além do desenvolvimento de catarata.

Luminosidade piora a doença

Após a confirmação do diagnóstico de retinose pigmentar, o oftalmologista avisa que a doença não tem tratamento e a perda da visão é progressiva, podendo ocorrer entre 40 e 50 anos. Segundo ele, há evidências de que o quadro pode ser agravado com a exposição à luz.

— Por isso, recomendamos o uso de lentes escurecidas ou fotocromáticas. Elas funcionam como um filtro para diminuir a incidência de luz nos olhos.

O médico avisa que o uso de vitamina A para retardar a progressão da doença é controverso, especialmente porque “o excesso deste nutriente pode acarretar problemas hepáticos”.

— O tratamento com vitamina A só deve ser feito com orientação médica, especialmente em relação à dosagem.

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O médico acrescenta que em Cuba o tratamento é feito com extrato de células de placenta, mas isso “não funciona e pode levar à cegueira”.

— Muita gente perdeu a visão com esse tipo de tratamento. Em alguns pacientes, isso desenvolve até alergias.

Mesmo sem cura, Janaína não perde a esperança nos avanços da medicina e garante não se preocupar com o futuro de sua carreira.

— Acho que pensar que a doença pode prejudicar a minha carreira e o meu futuro é uma preocupação precipitada porque nem sei o que vou fazer amanhã. As tecnologias estão cada vez mais avançadas.

*Colaborou a estagiária Camila Savioli, do R7

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