Com pandemia do coronavírus, idosos devem ficar atentos a gripe

Vacinação contra a doença facilita diagnóstico de coronavírus. Gripe, causada por variações do vírus influenza, matou mais de mil pessoas no Brasil em 2019

Governo antecipou campanha nacional de vacinação para combater coronavírus

Governo antecipou campanha nacional de vacinação para combater coronavírus

Willian Moreira/Futura Press/Estadão Conteúdo

Em meio à pandemia do coronavírus, os idosos devem se precaver contra um outro tipo de doença respiratória que pode ser ainda mais mortal que o vírus: a gripe. Além do risco associado à infecção do vírus influenza no grupo formado por pessoas acima dos 60 anos, a vacinação e a prevenção da doença podem ajudar no combate ao novo vírus que já infectou pelo menos 52 pessoas no Brasil.

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Por isto, o ministério da Saúde antecipou a Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza e inverteu a ordem de público-alvo, priorizando justamente os idosos, grupo mais vulnerável a ambas infecções. A primeira fase da campanha começa no dia 23 de março e segue até o dia 9 de maio, quando outros grupos passam a ser prioridade, entre eles crianças de 6 meses a 6 anos.

Uma das razões para antecipar a vacinação de idosos é que a proteção contra a gripe ajuda a prevenir o coronavírus. "É uma forma de auxiliar os profissionais de saúde a descartarem as influenzas na triagem e acelerarem o diagnóstico para a Covid 19", informa o ministério da Saúde.

"Assim evitamos a sobreposição de casos, se chega alguém do pronto-socorro e a gente sabe que está vacinado, podemos pensar em outras causas além do H1N1", detalha Renata Beranger, infectologista do hospital Samaritano Botafogo.

A gripe, causada por variações do vírus influenza, causou a morte de ao menos 1.109 pessoas no Brasil em 2019. Para prevenir o contágio, médicos também recomendam evitar multidões e locais não arejados, a higienização constante das mãos e o controle de doenças crônicas (que podem acarretar complicações fatais em caso de gripe).

Luiz Antonio Gil Jr, geriatra do hospital Sírio Libanês, enfatizou a importância do cuidado com pessoas que convivem com idosos, como cuidadores e familiares, que também devem se vacinar e, caso fiquem doentes, evitar ao máximo o contato.

Sintomas e atendimento

Além da febre, infecções provocadas pelo influenza e pelo coronavírus têm como característica sintomas respiratórios, incluindo, tosses, espirros, dor de garganta e coriza, que podem evoluir com o passar dos dias para quadros mais graves, como pneumonia. Em caso de gripes leves, o quadro pode evoluir em cerca de três ou quatro dias.

A complicação mais comum da gripe é a pneumonia bacteriana, tratada com antibióticos. No caso do coronavírus, as complicações mais frequentes são a insuficiência respiratória e pneumonia viral. "A pessoa deve procurar atendimento de emergência quando ela ficar com muita falta de ar, com a persistência da febre e tosse intensa", explicou Renata Beranger. 

Entre os idosos, a gripe ainda tem percentual de mortalidade maior do que o coronavírus, segundo Jean Gorinchteyn, médico infectologista do hospital Emílio Ribas. "O coronavírus tem mortalidade de 15% entre idosos. Na gripe, temos uma mortalidade de 23%", disse. Porém, sem vacina ou tratamento existente, o covid-19 apresenta muitos mais riscos à população.

*Estagiário do R7, sob supervisão de Clarice Sá