Como a febre amarela “viajou” da Amazônia até São Paulo

Ciclo da doença que se vive agora começou no fim de 2014

Último ciclo da doença havia ocorrido em meados de 2008, 2009, segundo especialista
Último ciclo da doença havia ocorrido em meados de 2008, 2009, segundo especialista Pixabay

Originária de outros Estados brasileiros, a febre amarela silvestre "viajou" por um corredor verde de mata atlântica por meio de mosquitos transmissores e de macacos infectados até chegar a São Paulo. Não há registro de mortes de pessoas na capital paulista pela doença, mas a Prefeitura iniciou campanha de vacinação na zona norte após o encontrar de um macaco bugio vítima dentro do Horto Florestal, na semana passada. No Estado, 16 pessoas morreram vítimas da doença.

De acordo com o coordenador do Programa Municipal de Vigilância e Controle de Arboviroses, Eduardo de Masi, o vírus saiu da Amazônia e foi caminhando pelas regiões de mata fechada, "que são chamamos de corredores ecológicos".

— Então, passou por vários Estados até chegar a Minas Gerais, onde teve grande repercussão devido ao número de casos [mais de 100 mortos]. De lá, veio para São Paulo.

O vice-presidente da SBim, Renato Kfouri, complementa que os estudos dos corredores mostram por onde o vírus foi migrando (região Norte, Centro-Oeste, passando por Minas Gerais, até entrar pelo norte do Estado de São Paulo), e os especialistas conseguem ir monitorando esse caminho "pelos genótipos dos mosquitos e na observação do vírus da febre amarela nos macacos mortos" pelo caminho.

Ciclo de febre amarela 

Agora vive-se o meio de um ciclo da doença, que começou no fim de 2014, e faz parte do histórico da doença. O último havia ocorrido em meados de 2008, 2009”, afirma Masi. 

— [Esse ciclo] "ocorre a cada sete, oito anos, aproximadamente, e dura cerca de três anos. 

O ciclo da febre amarela silvestre ocorre só em macacos e, eventualmente, os humanos são infectados. Os mosquitos transmissores de febre amarela silvestre — Haemagogus e Sabethes — costumam voar apenas por 500 m, mas se não conseguir alimentação, eles podem voar por até 2 km até encontrar outra região de mata.

— Esses mosquitos costumam viver perto da copa das árvores e se alimentam de animais vertebrados, principalmente, de macacos. Do ponto de vista do mosquito, o homem é uma fonte de alimento. Se o mosquito estiver infectado com o vírus, ele vai transmitir a doença.

Macacos sofrem mais

Ainda de acordo com Masi, os macacos da espécie bugio são os mais suscetíveis à doença. Já o sagui, por exemplo, dependendo da carga viral, consegue sobreviver ao vírus, assim como os humanos.

Outros animais também foram encontrados mortos em regiões de mata preservada, como em Jundiaí, que está na área de risco para a febre amarela. A prefeitura da cidade confirmou que 58 casos deram positivo para a doença, outros 39 casos aguardam o resultado de exames.

Na capital paulista, foram encontrados 19 macacos mortos. Os testes comprovaram que três animais morreram por febre amarela silvestre. Segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, os macacos mortos na capital foram levados para análise desde o dia 9, data de confirmação da morte do primeiro primata no Horto. Em todo o Estado, 258 primatas morreram infectados pelo vírus desde o início do ano.

Os primatas não são transmissores da doença. Pelo contrário, eles servem de indício às autoridades de que o vírus circula naquela região.

Macacos não transmitem febre amarela

A Prefeitura de São Paulo, inclusive, lançou campanha nas redes sociais para que as pessoas não agridam, maltratem ou matem estes animais.

Parques fechados

Até esta segunda-feira (30), 15 parques haviam sido fechados para conter o avanço do vírus, sendo 13 municipais e dois estaduais — Horto Florestal e Parques Estadual da Cantareira —, segundo a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente.

“Nunca vi o parque fechar”, diz moradora do Horto Florestal

Após o fechamento do Horto Florestal, a prefeitura iniciou campanha de vacinação na zona norte da cidade. Na primeira etapa, devem ser imunizados moradores de um raio de 500m do parque. Na segunda etapa, o alvo será quem vive ao redor de 1 km da área. Na terceira e última etapa, a prefeitura pretender vacinar todos os moradores. Por enquanto, não há previsão para imunizar residentes de outras regiões da capital paulista, a não ser que a pessoa vá viajar áreas de risco para o vírus. Os 20 Estados com áreas de risco podem ser consultadas no site do Ministério da Saúde.

Postos fecham antes e têm confusão em vacinação contra febre amarela

Vacina é maneira mais eficaz

O vice-presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), Renato Kfouri, recomenda que quem não se vacinou ou não pode tomar a vacina contra febre amarela se proteja com as chamadas barreiras físicas: “usar repelentes, vestir roupas cumpridas, instalar telas em casa e, principalmente, evitar as áreas de risco”.

Desde o início da campanha, foram aplicadas 371.130 doses da vacina, nas 37 Unidades Básicas de Saúde e 12 postos volantes que participam da ação. (Veja abaixo os endereços dos postos de saúde). 

Serviço

Horário:
Segunda a sexta-feira, das 7h às 19h
 

UBS/AMA Jardim Peri - Av. Peri Rochetti, 914 - Jd. Peri
UBS Horto Florestal - R. Luis Carlos Gentile de Laet, 603, esquina com rua. do Horto, 603 - Horto Florestal
UBS Dona Mariquinha Sciascia - R. Dr. José Vicente, 39 - Tremembé
UBS Vila Dionísia - R. Chen Ferraz Falcão, 50, Vila Dionísia
UBS Lauzane Pauklista - R. Valorbe, 80
UBS Vila Aurora - R. Jean Buff, 126
UBS Conjunto Ipesp - Av. Profª. Virgilia Rodrigues Alves de Carvalho Pinto, 555
UBS Wamberto Dias Costa - R. Paulo César, 60
UBS Jardim Rosinha - R. Dalva de Oliveira, 82 - Morro Doce
UBS Morada do Sol - R. Assis Brasil, 31, esquina com Pça. Luiz Vaz de Camões - Sol Nascente
UBS Morro Doce - R. Alberto Calix, 55 - Jd. Canaã
AMA/UBS Parque Anhanguera - R. Pierre Renoir, 100 - Via Anhanguera Km 24,5 - Jd. Britânia
UBS/PSF Alpes do Jaraguá - Alameda das Limeiras, 46
AMA/UBS Integrada City Jaraguá - Estrada de Taipas, 1648
AMA/UBS Integrada Elísio Teixeira Leite - R. João Amado Coutinho, 400
UBS/PSF Jardim Panamericano - R. Barra da Forquilha, 38 F
UBS/PSF Jardim Rincão - R. Arroio da Palma, 67
UBS/PSF União das Vilas de Taipas - Av. Elísio Teixeira Leite, 7.703
UBS Recanto dos Humildes - Av. Pavão, 36A
UBS Vila Caiuba - R. Presidente Vargas, s/n
UBS Ilza Weltman Huztler - Rua Cel. Walfrido Carvalho s/nº
UBS Vila Espanhola - Av. João Santos Abreu ,650
UBS Vila Dionísia II - Rua  07 de Setembro,73
UBS Jardim Guarani – Rua Santana do Araçuai, 160
UBS Jardim Vista Alegre – Rua Ibiraiaras, 21
UBS Silmarya R.M. Souza – Rua Euvaldo Augusto Freire, 20
UBS Jardim Paulistano – Rua encruzilhada do Sul, 220
UBS Anhenguera I – Estrada Turística do Jaraguá, 3.680
UBS/AMA Jardim Ipanema – Rua Pedro Ravara, 11A
UBS Jardim Apuanã - R Hum, 19
UBS Jardim Fontalis - R. Antonio Picarollo, 41
UBS/ESF Jardim das Pedras - R. Clóvis Salgado, 220
UBS Jardim Flor de Maio - Av. Nova Paulista, 561
UBS Jardim Joamar - R. Adalto Bezerra Delgado, 230
UBS Dr. Osvaldo Marçal - R. Antonio Joaqui de Oliveira, 220
UBS Vila Nova Galvão - R. Alpheu Luiz Gasparinni, 116
AMA/UBS Integrada de Perus - Praça Vigário João Gonçalves de Lima, 239