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Saúde Contágios aumentam e Suécia teme forte 2ª onda de covid-19

Contágios aumentam e Suécia teme forte 2ª onda de covid-19

Em comparação com os números moderados dos outros países nórdicos, a Suécia se destacou com números muito mais altos de infecções e mortes

  • Saúde | Da EFE

autoridades já estão recomendando minimizar os contatos fora do círculo familiar

autoridades já estão recomendando minimizar os contatos fora do círculo familiar

Henrik Montgomery /EFE/EPA - 12.05.2020

O grande aumento de casos de covid-19 e mortes causadas pela doença nas últimas semanas na Suécia, o maior na região, trouxe de volta o temor de uma segunda onda do novo coronavírus tão forte como a primeira no país mais afetado da Escandinávia, que mantém uma estratégia mais relaxada.

Em comparação com os números moderados dos outros países nórdicos, a Suécia se destacou na última primavera com números muito mais altos de infecções e mortes (cinco vezes mais que a Dinamarca e dez vezes mais que a Noruega) e o maior excesso de mortalidade em um século e meio, embora abaixo dos países mais afetados, como Espanha, Itália, Reino Unido e França.

A situação foi se amenizando durante o verão e a taxa de infecção caiu para níveis mais baixos do que os dos vizinhos. Até menos de um mês atrás, o epidemiologista chefe da Agência de Saúde Pública e chefe da estratégia nacional contra o novo coronavírus, Anders Tegnell, falou sobre a "exceção sueca" diante do aumento geral no resto do continente.

Mas os números dispararam nas últimas duas semanas. O número de pacientes internados dobrou, com um em cada três leitos em UTIs (unidades de terapia intensiva) correspondendo a pacientes com o vírus. Na sexta-feira (13) houve um número recorde de pessoas infectadas em um só dia (5.990) e 42 mortes nas últimas 24 horas, o maior número desde o início de junho.

A Suécia registrou 485,3 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias, o 20º maior número entre 31 países na Europa e ainda longe do pior resultado, mas quase duas vezes maior que o da Dinamarca e três vezes maior que o da Noruega, de acordo com dados do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças.

"A capacidade em nível nacional ainda é boa", enfatizou nesta semana a encarregada de emergências da Direção de Assuntos Sociais, Johanna Sandwall, ressaltando que 30% dos leitos de UTI continuam vazios e que o ponto de partida em termos de recursos está muito melhor do que na primavera.

Tegnell destacou que a situação nos hospitais está "sob controle" e que a Suécia se encontra em um estágio diferente na curva que a maior parte da Europa, onde a explosão de casos já ocorreu no final do verão e agora está começando a diminuir. "A situação é mais grave do que pensávamos", admitiu Tegnell.

Recomendações para controle

Em 17 das 21 regiões da Suécia, as autoridades já estão recomendando minimizar os contatos fora do círculo familiar, trabalhando de casa e evitando a ida a estabelecimentos comerciais.

Dez localidades, incluindo Estocolmo, reportaram contágios em asilos de idosos e comunicaram que a capacidade de realizar testes está no limite.

O primeiro-ministro sueco, o social-democrata Stefan Löfven, advertiu há alguns dias que "tempos sombrios" estão chegando e que os indicadores apontam "para a direção errada". Anunciou também a proibição da venda de álcool em bares e restaurantes a partir das 22h e o fechamento antecipado desses estabelecimentos às 22h30.

Embora esta seja uma medida semelhante à que foi tomada por muitos países, é chocante no contexto da Suécia, cuja estratégia tem sido baseada, desde o início, no apelo à responsabilidade individual, com muitas recomendações e poucas proibições, como visitas a asilos de idosos e restrições ao público em eventos, ambas modificadas no início do outono.

Ceticismo sobre uso de máscara

Entretanto, as autoridades reiteraram que a estratégia estabelecida pela Agência de Saúde Pública, seguindo a tradição sueca de dar grande autonomia para os órgãos públicos, permanece firme e que não foram contempladas restrições mais severas à vida pública como na Dinamarca e na Noruega, com menos contágios do que a Suécia.

Enquanto ambos os países aplicaram um amplo confinamento à vida pública na primavera, incluindo escolas e restaurantes, a Suécia sempre manteve colégios, creches, bares, restaurantes e lojas abertos, embora com algumas restrições, e nunca fechou as fronteiras para países do espaço Schengen nem estabeleceu quarentenas.

Ao contrário dos vizinhos, que desde setembro abandonaram a relutância inicial e aconselharam ou impuseram o uso da máscara em algumas situações, a Suécia não mudou de posicionamento, reiterando que a higiene e o distanciamento são as chaves para o problema.

"Acreditar que as máscaras serão a salvação é perigoso", disse Tegnell nesta semana, em entrevista ao "Dagens Nyheter", o principal jornal diário sueco, destacando que o equipamento dá uma falsa sensação de segurança e que em países com regras mais rígidas o vírus não foi impedido de se espalhar amplamente.

Rastreamento e imunidade de rebanho

As deficiências no sistema de rastreamento de contatos têm sido outro dos pontos mais discutidos da estratégia, que mais uma vez esteve no centro da polêmica. No entanto, pesquisas indicam que o sistema continua a ser apoiado pela maioria da população.

A alta taxa de mortalidade e a diferença em relação ao resto da população nórdica já provocaram, no início do verão, duras críticas da oposição ao governo e de alguns especialistas, especialmente de fora da Suécia, que acusaram as autoridades sanitárias de buscarem a imunidade de rebanho, o que sempre foi negado.

As suspeitas foram levantadas novamente nesta semana, com a publicação antecipada de um livro que revela uma troca de e-mails entre Tegnell e outro especialista que insinua a aposta na imunidade de grupo.

"As decisões são tomadas em um processo em que é feita uma análise conjunta, não por funcionários em conversas pelo e-mail ou em reuniões com pessoas de fora", defendeu o diretor da agência, Johan Carlson.

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