Coronavírus: Pequim teme segunda onda de covid-19 após surto em mercado

Parte da capital chinesa foi colocada em lockdown depois que quase 50 pessoas testaram positivo para covid-19 no mecado Xinfadi, por onde passam 80% das verduras e legumes e da carne consumida pela população local

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Xinfadi é o maior mercado de Pequim: por ele passam 80% das verduras e legumes e da carne consumida pela cidade

Xinfadi é o maior mercado de Pequim: por ele passam 80% das verduras e legumes e da carne consumida pela cidade

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Uma área de Pequim entrou novamente em lockdown depois que a cidade registrou novos casos de covid-19 após quase 50 dias sem novas ocorrências.

O surto está ligado a um dos maiores mercados atacadistas da capital chinesa.

Um total de 45 pessoas entre 517 testadas no mercado Xinfadi foram diagnosticadas com o novo coronavírus — nenhuma tinha sintomas. Nos próximos dias, 10 mil funcionários do mercado serão testados.

Autoridades locais afirmaram ainda que devem testar todos que tiveram algum contato recente com o mercado, assim como aqueles que vivem nos distritos do entorno.

O episódio levou à reimplementação de medidas restritivas de quarenta em 11 bairros próximos.

O que se sabe sobre os novos casos?

Localizado no distrito de Fengtai, o mercado Xinfadi foi fechado nas primeiras horas deste sábado (13), depois que dois homens que tinham ido recentemente ao estabelecimento testaram positivo para covid-19.

Exames realizados no mercado mostraram que 45 pessoas estavam infectadas com o Sars-CoV-2.

Cerca de 10 mil pessoas que trabalham no mercado serão testadas

Cerca de 10 mil pessoas que trabalham no mercado serão testadas

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"De acordo com o princípio de se colocar a segurança da população e a saúde em primeiro lugar, adotamos medidas de lockdown no mercado Xinfandi e nos bairros do entorno", declarou em entrevista coletiva Chu Junwei, autoridade local do distrito de Fengtai.

O distrito está em "emergência de guerra", ele acrescentou.

Centenas de policiais militares foram vistos entrando no mercado. O transporte público na área foi interrompido e as escolas, fechadas.

Diante do temor de que a capital possa viver uma segunda onda da doença, eventos esportivos que aconteceriam em outras regiões foram cancelados e alguns estabelecimentos resolveram fechar as portas.

De acordo com o correspondente da BBC na China, Stephen McDonell, as autoridades chinesas ainda não sabem ao certo como o grande mercado de Xinfadi, que abastece cerca de 80% das verduras e legumes e da carne consumida em Pequim, se tornou o centro de um novo surto.

Nos últimos meses, a estratégia do governo chinês tem sido isolar completamente qualquer cidade em que haja possíveis centros de disseminação da doença.

"Isso parece vir funcionando, mas colocar Pequim inteira em lockdown em um momento em que parecia que a situação já estava sob controle não é algo que eles quererão fazer de maneira precipitada."

O surto de covid-19 na China, que teve seu epicentro na cidade de Wuhan, foi controlado mediante a implementação de medidas duras de quarentena.

Mais de 4,6 mil pessoas morreram de covid-19 no país e mais de 426 mil no mundo, de acordo com o registro feito pela Universidade Johns Hopkins.