Coronavírus: sangue de pacientes curados pode ajudar doentes

Chefe de um hospital de Wuhan, cidade com milhares de infectados, afirma que resultados iniciais indicaram a eficácia da transfusão de plasma

Médicos de Wuhan, cidade chinesa que concentra boa parte dos casos de doentes pelo novo coronavírus, apostam no sangue dos pacientes recuperados para ajudar pessoas que permanecem internadas por causa do vírus.

A agência de notícias estatal chinesa Xinhua informou que o chefe do Hospital Wuhan Jinyintan, Zhang Dingyu, convocou pacientes curados para doar plasma.

Segundo ele, resultados iniciais indicaram a eficácia da transfusão de plasma na cura de pacientes diagnosticados com covid-19 (nome dado à doença que provoca a epidemia atual).

A médica infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, explica que como esse mecanismo funciona.

"Independente de ser o coronavírus novo ou não, toda vez que alguém tem uma doença infecciosa, principalmente causada por vírus, adquire anticorpos contra aquele vírus especifico para não adoecer de novo. Quem já foi curado, seguramente, está cheio de anticorpos contra esse coronavírus."

A técnica é usada para outros tipos de vírus, como o da catapora e da hepatite B, exemplifica a médica.

"Pelo sangue dessas pessoas extrai os anticorpos e aplica em pessoas que estão na fase aguda da doença."

Essa estratégia é chamada de imunização passiva — diferente da vacina, que é a imunização ativa, usada para pessoas que ainda não adoeceram.

Até esta quinta-feira (13), 5.911 pacientes haviam sido curados da covid-19 em toda a China. Por outro lado, 8.030 permaneciam internadas em estado grave.

Ao todo, o país asiático confirmou mais de 59,8 mil casos do novo coronavírus, sendo que 1.367 pessoas morreram por causa da doença.

Outras estratégias

Além do plasma, médicos chineses e de outros países utilizam antivirais para tentar curar pessoas infectadas pelo novo vírus.

Uma paciente de 71 anos foi curada em um hospital na Tailândia 48 horas após receber um coquetel de medicamentos contra o vírus da gripe e HIV.

Na China, especialistas testam ainda um antiviral desenvolvido para o tratamento de pessoas com o vírus ebola.

Não existe até o momento um medicamento específico para a covid-19. A primeira vacina deve chegar ao mercado apenas no ano que vem, já que os testes ainda não começaram.