Coronavírus

Coronavírus Casos de covid em crianças nos EUA batem recorde. Qual a explicação?

Casos de covid em crianças nos EUA batem recorde. Qual a explicação?

Em dois meses, país teve alta de mais de 1.100% dos diagnósticos infantis, mas taxas de hospitalização e morte são baixas

Movimentação na porta de escola em Nova York no primeiro dia de aula após as férias de verão

Movimentação na porta de escola em Nova York no primeiro dia de aula após as férias de verão

Brendan McDermid/Reuters - 13.9.2021

Os Estados Unidos registraram nas últimas duas semanas quase 500 mil casos de covid-19 entre pacientes pediátricos, mostram dados da AAP (Academia Americana de Pediatria) e da Children's Hospital Association consolidados até o último dia 9.

Somente na semana de 9 de setembro, o país contabilizou 243,3 mil casos de covid-19 em crianças e adolescentes, após um recorde de 251,7 mil na semana anterior. O total de infectados desde o início da pandemia já passa de 5,29 milhões.

A incidência de covid-19 em menores de idade sobe semana após semana no país desde o final de junho, o que, segundo autoridades de saúde, coincide com a ampla circulação da variante Delta em território norte-americano.

Chama atenção que o número de novos casos semanais em pacientes pediátricos cresceu mais de 1.100% entre 8 de julho e 9 de setembro.

"Desde o início da pandemia, as crianças representaram 15,5% do total de casos acumulados. Para a semana que terminou em 9 de setembro, as crianças representaram 28,9% dos casos semanais de covid-19 relatados (crianças, com menos de 18 anos, representam 22,2% da população dos EUA)", sublinha a AAP em seu relatório.

Todavia, as taxas de hospitalizações são baixas, entre 1,6% e 4% do total. O mesmo ocorre com as mortes, que representam menos de 0,27%.

A associação reafirma que os casos de covid-19 graves em crianças são considerado "incomuns", mas ressalta a "necessidade urgente de coletar mais dados sobre os impactos de longo prazo da pandemia" neste grupo.

Em comunicado no último dia 10, o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) salientava a importância do monitoramento da covid-19 em menores de 18 anos.

"As escolas estão abrindo para o aprendizado presencial, e muitas crianças do jardim de infância estão retornando aos programas de educação e cuidados infantis durante uma época em que o número de casos de covid-19 causados ​​pela variante altamente transmissível B.1.617.2 (Delta) do SARS-CoV -2, o vírus que causa a covid-19, está aumentando. Portanto, é importante monitorar indicadores de covid-19 grave em crianças e adolescentes."

Gráfico mostra casos semanais de covid-19 em crianças e adolescentes nos EUA

Gráfico mostra casos semanais de covid-19 em crianças e adolescentes nos EUA

Reprodução/AAP

O que está por trás deste aumento

Uma das explicações para o crescimento do número de pacientes pediátricos infectados pelo coronavírus envolve justamente um pico de covid-19 em todas as faixas etárias nos Estados Unidos.

Na semana de 5 de setembro, a Universidade Johns Hopkins contabilizou mais de 1,14 milhões de diagnósticos no país.

O infectologista Francisco Ivanildo Oliveira, gerente médico do Sabará Hospital Infantil, em São Paulo, chama atenção para o fato de quase um terço dos novos casos de covid-19 nos EUA ocorrer em crianças ou adolescentes.

Ele atribui como uma das causas a reprodução do padrão irregular de vacinação em determinadas regiões do país. Há áreas com baixíssima cobertura e outras com patamares mais altos.

"Eles são o maior grupo hoje sem vacinação. [...] Como a vacinação em crianças ocorre só em uma determinada faixa — dos 12 aos 17 anos — e mesmo dentro desta faixa a adesão é muito heterogênea, muito irregular, o fato de você ter muito menos criança vacinada do que você tem de adultos desloca os casos para as crianças."

Os Estados Unidos enfrentam o desafio de convencer mais de 25% dos cidadãos acima de 12 anos a se vacinarem.

Outros fatores também podem ter influenciado a alta das infecções neste público: férias escolares de verão e retorno antecipado às aulas a partir de agosto em algumas localidades e a dificuldade de impor medidas de prevenção, salienta o especialista.

"A gente sabe que lá nos Estados Unidos essas questões são extremamente politizadas. Existem alguns estados que proíbem as escolas de exigir máscara. Alguns pais ou escolas precisam entrar na Justiça para permitir que exijam o uso de máscara."

Mas o cenário norte-americano pode ser repetir no Brasil? 

Na avaliação de Oliveira, há possibilidade, mas a campanha de vacinação no Brasil é um ponto favorável.

"Aqui no Brasil a gente tem algumas vantagens em relação aos Estados Unidos. A gente tem uma cobertura vacinal mais homogênea, apesar de ainda existirem diferenças."

Vacinação

Vacina da Pfizer/BioNTech é a única autorizada para uso em adolescentes no Brasil

Vacina da Pfizer/BioNTech é a única autorizada para uso em adolescentes no Brasil

ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO - 18.8.2021

A única faixa etária de menores de idade elegível para a vacinação contra covid-19 é a de 12 a 17 anos, tanto nos EUA como no Brasil, e somente com a vacina da Pfizer/BioNTech.

O CDC detectou que "as taxas de hospitalização foram aproximadamente 10 vezes maiores em adolescentes não vacinados em comparação com adolescentes totalmente vacinados, indicando que as vacinas foram altamente eficazes na prevenção de covid- graves 19 doença nessa faixa etária durante um período em que a variante Delta predominou."

O órgão também estima que mais de um terço de todos os adolescentes já concluíram o esquema vacinal.

Na semana passada, a agência de notícias Reuters publicou que autoridades sanitárias dos EUA esperavam aprovar a vacina da Pfizer/BioNTech para crianças de 5 a 11 anos até o final de outubro.

A Moderna também trabalha para pedir autorização de uso emergencial de sua vacina para o mesmo público, o que, segundo a agência, poderia ocorrer em novembro.

Últimas