Coronavírus Espanha retoma confinamentos em regiões após novos focos de covid-19

Espanha retoma confinamentos em regiões após novos focos de covid-19

As regiões no nordeste do país, da Catalunha e da Galícia, terão que voltar a fazer quarentena por pelo menos cinco dias depois de novos casos surgirem

  • Coronavírus | Da EFE

Especialistas afirmam que país não possui imunidade de grupo

Especialistas afirmam que país não possui imunidade de grupo

Quique García/EFE - 08.06.2020

A Espanha iniciou a semana com a volta dos confinamentos em áreas com cerca de 300 mil habitantes nas regiões da Catalunha (nordeste) e Galícia (noroeste), devido a novos focos do novo coronavírus, enquanto especialistas confirmam que a população nacional não tem imunidade de grupo diante da pandemia.

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A partir desta segunda-feira (6), 70 mil pessoas não podem entrar nem sair de Mariña, na província galega de Lugo, exceto por causa justificada. Outras 210 mil estão na mesma situação na cidade catalã de Lérida.

Ambas registraram os novos surtos mais sérios do país. Além disso, outras quatro áreas da região de Aragão (nordeste) continuam na segunda fase da saída do confinamento.

Na Galícia, o confinamento será de cinco dias, mas pode ser prolongado caso a situação não melhore. O número de casos ativos subiu de 99 para 119 entre domingo e segunda-feira.

Eleições regionais

As eleições regionais da Galícia serão realizadas no próximo domingo, dia 12, então o pleito ocorrerá normalmente se o confinamento for limitado a esses cinco dias.

O presidente do governo regional e candidato à reeleição, Alberto Núñez Feijóo, do Partido Popular (PP), insistiu que, apesar do endurecimento das medidas, votar no domingo será "tão seguro como ir a uma farmácia".

Outra região espanhola, o País Basco, no norte, também realizará eleições no domingo. As autoridades de saúde regionais lutam para conter um pequeno surto na cidade de Ordizia que até agora afetou sete pessoas.

O diretor do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências Sanitárias, Fernando Simón, ressaltou a importância do isolamento quando os sintomas começam, caso contrário o surto não pode ser controlado e "medidas drásticas" como "confinamentos, fechamentos preventivos e medidas de restrição que não são do interesse de ninguém" devem ser adotadas.

Ao todo, o Ministério da Saúde espanhol reportou mais 1.244 casos de Covid-19 desde sexta-feira, 78 nas últimas 24 horas, elevando o número total de positivos para 251.789. O número de mortes é 28.388, uma a mais do que as reportadas na sexta-feira passada, o último dia em que foram divulgados dados oficiais.

Sem imunidade de grupo

As autoridades de saúde espanholas também confirmaram nesta segunda-feira que a população do país não tem imunidade de grupo (ou rebanho) à pandemia, ao divulgarem os resultados da terceira e última fase do estudo de soroprevalência realizado pelo Ministério da Saúde. Apenas 5,2% dos espanhóis foram infectados com o coronavírus SARS-CoV-2, segundo esse estudo, um número semelhante ao das duas fases anteriores.

"Estamos muito longe de alcançar a imunidade do rebanho", afirmou a diretora do Centro Nacional de Epidemiologia, Marina Pollán, em entrevista coletiva na qual comentou que seria "muito antiético" expor a população ao vírus para chegar a esta condição.

O estudo foi realizado a partir de 27 de abril com cerca de 90 mil pessoas de mais de 36 mil famílias espalhadas pelo país. Um aspecto preocupante desta terceira rodada do estudo é que entre a primeira e segunda rodada da pesquisa, 7% dos participantes deixaram de ter anticorpos detectáveis para a Covid-19, uma porcentagem que subiu para 14% entre a segunda e terceira rodada.

Apesar disso, Pollán disse que não conseguir detectar anticorpos não significa que estas pessoas não estejam imunologicamente protegidas.

De acordo com a especialista, esta "perda" de anticorpos era mais frequente em pessoas que não tinham apresentado quaisquer sintomas (11%) entre as rodadas 1 e 2, e muito menos em participantes com um exame PCR positivo (0,5%) ou naqueles que descreveram perda súbita do olfato ou do paladar (2,6%).

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