Novo Coronavírus

Saúde Covid-19: China lidera corrida por vacina em 'ritmo de guerra'

Covid-19: China lidera corrida por vacina em 'ritmo de guerra'

Com três candidatas entre as mais avançadas do mundo, país oriental já possui duas fábricas para produção em larga escala

Reuters
Uma das vacinas produzidas na China será testada no Brasil

Uma das vacinas produzidas na China será testada no Brasil

Dado Ruvic/Reuters

A China está na dianteira da corrida para desenvolver uma vacina que controle a pandemia da covid-19. A vacina experimental da SinoVac Biotech deve se tornar a segunda do país e a terceira do mundo a entrar na fase final de testes ainda neste mês.

Leia também: Empresa dos EUA recebe R$ 8,5 bi para fabricar vacina contra covid-19

Embora seja uma retardatária na indústria global de vacinas, a China, onde se acredita que o novo coronavírus surgiu, aproximou os setores estatal, privado e militar para combater uma doença que já matou mais de 500 mil pessoas em todo o planeta.

Muitos outros países, incluindo os Estados Unidos, estão se coordenando com o setor privado para tentar vencer a corrida de desenvolvimento de uma vacina, e a China enfrenta muitos desafios.

Seu sucesso na diminuição de infecções de Covid-19 lhe dificulta realizar testes de vacina de larga escala, e por enquanto poucas nações concordaram em trabalhar com os chineses. Pequim também terá que convencer o mundo de que cumpre todas as exigências de segurança e qualidade devido a escândalos anteriores com vacinas.

Mas o uso chinês de ferramentas de comando de molde econômico está dando resultados até o momento. Uma entidade estatal, por exemplo, finalizou duas fábricas de vacina em dois meses, no que classificou como "ritmo de tempo de guerra". Além disso, empresas estatais e as forças armadas permitiram que vacinas experimentais fossem aplicadas em seus funcionários.

A unidade de pesquisa médica do Exército de Libertação Popular (PLA), que vem sendo uma mola propulsora dos esforços chineses para combater doenças infecciosas, também está trabalhando com empresas privadas, como a CanSino, para desenvolver vacinas contra Covid-19.

Desafiando o predomínio tradicional do Ocidente na indústria, a China está por trás de oito de 19 candidatas a vacina na fase de testes com humanos, e a vacina experimental da SinoVac e outra desenvolvida conjuntamente pelos militares e pela CanSino está entre as mais promissoras.

A candidata a vacina da SinoVac deverá começar a ser testada em 9 mil voluntários no Brasil, em estudo liderado pelo Instituto Butantan, no dia 20 de julho.

O país se concentra principalmente na tecnologia de vacinas baseada em vírus inativados, que é bem conhecida e já foi usada para fazer vacinas contra doenças como gripe e sarampo, algo que pode aumentar as chances de sucesso.

Em contraste, várias rivais ocidentais, como a norte-americana Moderna e as alemãs CureVac e BioNTech, estão usando uma nova tecnologia chamada mensageiro de RNA que nunca rendeu um produto aprovado por agências reguladoras.

Atualmente, só existem duas vacinas experimentais contra Covid-19 em testes avançados de Fase 3, uma da Sinopharm e outra da AstraZeneca e da Universidade de Oxford, que também está sendo testada no Brasil, em estudo liderado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A vacina da Sinovac deve se tornar a terceira até o final deste mês.

Últimas