Coronavírus

Saúde Covid-19: Cuidados em casa ajudam a reduzir riscos no convívio escolar

Covid-19: Cuidados em casa ajudam a reduzir riscos no convívio escolar

Infectologista aconselha sobre como proceder no dia a dia com as crianças, adolescentes e jovens no retorno das aulas presenciais

  • Saúde | Eduardo Marini, do R7

Resumindo a Notícia

  • Crianças não são boas transmissoras de covid-19. Normalmente são infectadas por adultos
  • Evite mandar a criança para a escola se ela apresentar sintomas de gripe
  • Converse com trabalhadores das vans sobre as condições de transporte dos alunos
  • Ideal é ter no mínimo dois conjuntos de uniforme para fazer o revezamento
Criança não deve ir à escola se tiver febre, orienta infectologista

Criança não deve ir à escola se tiver febre, orienta infectologista

BRUNO ROCHA/ESTADÃO CONTEÚDO/15.02.2021

Milhões de crianças e adolescentes começaram a voltar às escolas de todo o país nos últimos dias. Apesar da resistência de alguns setores, a maioria dos médicos, pesquisadores e especialistas considera o retorno seguro se adotados os cuidados, precauções e protocolos contra o coronavírus.

Os especialistas destacam a importância da retomada das aulas presenciais para diminuir o prejuízo gerado por problemas como déficit educacional, disfunções cognitivas e desenvolvimento infantil, sobretudo dos cinco aos onze anos. Todos registrados em volume preocupante no Brasil e no mundo desde o início da pandemia.

Dificilmente haverá condição de crianças e adolescentes serem vacinados no Brasil ainda em 2021. Neste cenário, o que pais e familiares devem fazer diariamente, antes e depois das aulas, para minimizar ainda mais as chances de contágio e transmissão envolvendo seus filhos no retorno às escolas?

“A suprema maioria dos estudos sobre esse tema no mundo, diria quase a totalidade, constatou que as crianças, felizmente, não são boas transmissoras de covid-19. Bem longe disso”, afirma ao R7 a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas e dos hospitais Santa Joana e Pro Matre Paulista, em São Paulo. “Em praticamente todos os casos, eles são infectados pelos adultos e não desenvolvem a doença. Quando desenvolvem, normalmente ocorrem as formas mais brandas da doença. Por isso defendo o retorno às aulas”, acrescenta ela.

A pesquisadora enumera atitudes cotidianas a serem tomadas por pais e adultos que convivem com as crianças para uma proteção ainda maior dos pequenos e de seus  familiares:

Evite mandar a criança para a escola se ela apresentar algum quadro respiratório infeccioso – “Em casos de gripe forte, febre ou outro problema ligado a infecções, mesmo com o risco de covid-19 afastado por exames, o melhor é deixar em casa até a situação melhorar”, aconselha Rosana. “Isso a rigor isso vale desde sempre, desde antes da pandemia, pois ninguém deseja ver o filho ou neto transmitindo ou recebendo não só covid-19, mas qualquer outro vírus. Muitos pais mandavam – e ainda mandam - filhos com esses quadros para a escola por necessitar sair para trabalhar e não ter com quem deixá-los. Agora, em função da gravidade, é necessário maior rigor”.

Não envie a criança para a escola se houver ao menos um caso confirmado de covid-19 na casa em que ela vive – “É a típica situação em que a criança precisa ficar de quarentena em sua residência, como todos os outros integrantes da família”, explica a infectologista.

Contatos com pessoas na ida e volta para a escola – “Esse ponto merece atenção. O ideal é conferir como o filho é transportado nas vans escolares e conversar sobre o assunto com os motoristas e trabalhadores desses veículos. As crianças estão voltando não apenas para a sala de aula, mas para todas as relações que envolvem esse retorno. Vale a pena também reforçar, na escola, a vigilância para conferir o que os alunos fazem e com quem se relacionam nos momentos de lazer. Isso diminui a chance de haver contatos impróprios. Mas tudo isso com equilíbrio, sem atitudes exageradas”.

Máscaras, uniformes e outros materiais – “Se a máscara da criança for de tecido, coloque-a para lavar normalmente a cada retorno e dê outra no dia seguinte. Se for descartável, jogue fora e utilize outra depois. Em relação aos uniformes e materiais escolares, higiene normal. A chance de uma criança ser contaminada pela roupa é quase nula. O problema, agora se sabe com respostas científicas, é a transmissão por vias respiratórias. O espirro, as gotículas, a fala próxima, enfim, o contato descuidado e sem prevenção. O ideal é ter no mínimo duas trocas de uniforme para a criança usar um no primeiro dia, o segundo no dia seguinte e o primeiro novamente, lavado, no terceiro dia. E assim por diante no revezamento. Agora, se a calça, a bermuda e a sainha voltarem limpinhas, poderão ser usadas no dia seguinte sem problema. Meia é bom trocar sempre, mas por questão de higiene. Quase tudo como sempre se fez, enfim. Bom também é passar álcool gel na parte externa das mochilas e bolsas sempre que possível”.

Adolescentes a partir de 12 anos e jovens – “Se eles possuem algum problema de imunidade ou que provoque alguma doença de comorbidade, deve-se deixá-los em casa. Mas isso felizmente é raro. De resto, valem a conversa franca e a alfabetização sanitária que todos nos esforçamos em promover. Na verdade, a maioria dos jovens e adolescentes vive hoje, no Brasil e no mundo, situações mais arriscadas fora da escola do que dentro. Na rua, nos fast foods, nas festas, idas a bares e encontros com os amigos que voltaram com força. Isso em grande parte vale também para as crianças, em saídas com os adultos e nas festinhas dos colegas, por exemplo. Então é reforçar as práticas de higiene e isolamento, que no caso dos jovens e adolescentes precisam ser adotadas também no ambiente escolar”.

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