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Saúde Covid-19: entenda a diferença entre assintomáticos e pré-sintomáticos

Covid-19: entenda a diferença entre assintomáticos e pré-sintomáticos

Termos foram citados por representante da OMS e geraram confusão; especialista enfatiza que todos os infectados podem transmitir o coronavírus

  • Saúde | Brenda Marques, do R7

Teste RT-PCR é saída para identificar casos de covid-19

Teste RT-PCR é saída para identificar casos de covid-19

Pixabay

A OMS (Organização Mundial da Saúde (OMS) esclareceu nesta terça-feira (9) que a transmissão do novo coronavírus por pessoas assintomáticas acontece, mas ainda não se sabe a dimensão desses casos.

A declaração foi dada após a líder do programa de emergências da entidade, Maria van Kerkhove, dizer que a transmissão da covid-19 por pacientes sem sintomas da doença parece ser "rara". 

Diante das críticas da comunidade acadêmica, Maria fez esclarecimentos sobre sua declaração horas mais tarde, por meio de uma rede social. Ela postou um guia da OMS com recomendações sobre o uso de máscara, que também reúne informações sobre a transmissão da covid-19, e destacou a importância de diferenciar casos pré-sintomáticos, assintomáticos e com sintomas leves.

Diferença entre cada caso

A infectologista Lina Paola, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que pacientes assintomáticos e sintomáticos passam pelas mesmas fases da infecção pelo novo coronavírus.

Uma delas é o período de incubação, que se refere ao tempo entre a infecção pelo vírus e o surgimento de sintomas. No caso da covid-19, esse intervalo varia de 1 a 14 dias e, na maioria das vezes, dura 5 dias. Em pacientes com sintomas, o período de incubação pode ser chamado de "fase pré-sintomática".

"Ambos os casos passam pelas mesmas fases. São infectados pelo vírus, que se espalha pelo organismo todo e o sistema imunológico não consegue combater, mas um vai ter sintomas e outro não. Isso é próprio de cada organismo, não dá para prever", afirma a especialista.

Potencial de transmissão

De acordo com ela, a quantidade de vírus presente em assintomáticos parece ser menor. "Em teoria, esse paciente que tem menor quantidade de vírus pode ter um menor potencial de transmissão, mas isso não é uma coisa pra gente ficar discutindo agora, todos podem ser transmissores", pondera.

No documento citado por Maria, a OMS deixa claro que a possibilidade de assintomáticos transmitirem o vírus existe, embora a maioria das transmissões ocorra por causa de pessoas com sintomas.

"Algumas pessoas infectadas com o vírus da covid-19 não vão desenvolver quaisquer sintomas, embora possam lançar o vírus, que pode então ser transmitido a outras pessoas", afirma um trecho do texto.

Ainda neste documento, a organização cita que as pessoas que desenvolvem sintomas parecem ter cargas virais mais altas na fase pré-sintomática. Fator que, em tese, indicaria um maior potencial de disseminação do vírus.

A OMS também ressalta que a transmissibilidade do novo coronavírus depende da quantidade de vírus viáveis - capaz de causar infecção e se replicar - que estão sendo eliminados por uma pessoa, se ela está tossindo ou expelindo mais gotículas contaminadas e do tipo de contato que ela tem com os outros.

"Estudos que investigam a transmissão [do coronavírus] devem ser interpretados considerando o contexto em que eles ocorreram", ressalva.

Lina, por sua vez, pondera que indivíduos sintomáticos passam por duas semanas de produção intensa do vírus. "Durante essa fase, a gente elimina [vírus] por meio de todas as secreções, principalmente pela via respiratória", descreve.

"A partir da terceira semana, o paciente entra na fase inflamatória da doença. Ele ainda elimina írus, mas a quantidade começa a diminuir", acrescenta.

Segundo a infectologista, a média de tempo de transmissão do vírus por pacientes assintomáticos é menor e, provavelmente, termina em duas semanas.

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