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Saúde Covid-19: médico alerta para o aumento de casos entre jovens

Covid-19: médico alerta para o aumento de casos entre jovens

Nesta nova etapa da pandemia, em muitos casos, os avós também deverão ter a preocupação com os netos

  • Saúde | Eugenio Goussinsky, do R7

Internações aumentaram entre os mais jovens

Internações aumentaram entre os mais jovens

Juan Carlos Torrejón/EFE/Arquivo/25-03-21

De um lado, variantes do novo coronavírus e o comportamento humano aumentaram o número de transmissões da doença e levaram, neste último mês, o Brasil a recordes de mortes em toda a pandemia. De outro, a vacinação ainda lenta, no entanto, começa a dar mostras de que irá, gradativamente, reduzir o número de casos. No Brasil, o número de novas internações de idosos com 90 anos ou mais por covid-19 caiu 20%, cerca de um mês e meio depois do início da vacinação. Já as internações causadas pela doença, na faixa etária dos 30 aos 39 anos, registrou um aumento  de 50%.

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Por esses índices, divulgados pelo jornal O Estado de S. Paulo, com base em dados do Sivep-Gripe, sistema do Ministério da Saúde que traz os dados sobre internações por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), a pandemia entrou em uma nova etapa, em que, diferentemente do início, os mais velhos não são agora os únicos grupos vulneráveis. Em muitos casos, agora, os avós também deverão ter a preocupação para que os netos não sejam contaminados.

O vice-presidente do Hospital Albert Einstein, Marcos Knobel, clínico geral e cardiologista com anos de experiência em UTIs, atribui esse aumento de casos de internações e mortes de pessoas mais jovens também às novas cepas do vírus. E ressalta as necessidades de cuidados da população.

"Venho fazer um alerta para os jovens. Até imploro: usem máscara, não se aglomerem, pratiquem o distanciamento social e a higienização das mãos. Isso é muito importante para todos vocês. Ultimamente, com as novas cepas, temos visto muito mais jovens nas UTIs e óbitos numa proporção muito maior em relação aos idosos, comparando com o que vimos no ano passado. Se antes nós falávamos, 'jovem, cuide-se para proteger seus pais e avós, hoje nós falamos: jovem, cuide-se para preservar a sua vida'", declarou.

Dados da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) divulgados no início de março apontam que adultos infectados com a P.1 (uma das variantes) chegam a ter uma carga viral dez vezes maior do que aqueles que contraíram cepas mais antigas.

Na opinião do psicólogo Leonardo Abrahão, idealizador da iniciativa Janeiro Branco (em defesa dos cuidados com a saúde mental), é fundamental que as pessoas tenham conhecimento claro sobre o que vem ocorrendo no país e no mundo atualmente.

"Esse novo momento, com os idosos sendo vacinados, é a prova de que a pandemia produziu efeitos e consequências em todas as questões e relações humanas: as preocupações, e os cuidados, devem ser gerais, horizontais e universais. Não interessa a sua condição social, sua faixa etária, sua identidade cultural ou sua orientação sexual: os problemas — e as soluções — são de ordem coletiva e global."

Abrahão ressalta que, no atual cenário, muitos idosos, apesar do alívio, ainda terão de lidar com outras apreensões.

"Muito provavelmente, os mais idosos irão se sentir mais protegidos e seguros — isso será maravilhoso para a saúde mental deles. Contudo, não podemos cometer generalizações simplistas: apesar de vacinados, muitos ainda carregarão as dores psicológicas (e físicas) relacionadas aos longos tempos em isolamento, relacionadas às múltiplas formas de luto que tiveram que enfrentar e relacionadas aos novos medos que surgirão, como a indagação: 'meus netos estão seguros?'”

Na opinião da psicóloga Adriana Carbone, este momento exige algo necessário no dia a dia, mas que, com a pandemia ficou ainda mais importante: conter a ansiedade, tanto para ser prevenir da doença, evitando festas, reuniões e aglomerações e não abrindo mão do uso de máscara, quanto para lidar com a ameaça do vírus em si.

"Com relação aos afetos, por mais que a gente tenha preconceito da tecnologia, em relação à distância que ela traz, por não possibilitar o contato físico, no momento atual, pensando nesta semana com número de mortos elevados e uma perspectiva ruim por conta do sistema de saúde sobrecarregado, temos de manter distanciamento social absoluto, e cuidar de manter os afetos pelos carinhos que podemos fazer. Talvez mandando uma comida, um chocolate, um presente de um avô para o neto, mas a distância do contato fisico continua se mantendo importante. Agora devemos pensar que o presente é o que a gente pode viver, e seguir vivendo um dia de cada vez", observa.

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