Covid-19: testes da vacina da Pfizer em SP ainda aceitam voluntários

Inscrições foram prorrogadas devido à desistência de candidatos; motivo é não poder tomar outra vacina em 2 anos e não saber se tomou placebo

Feita a partir de RNA mensageiro, a vacina da Pfizer é considerada inovadora

Feita a partir de RNA mensageiro, a vacina da Pfizer é considerada inovadora

Jean-Christophe Bott/ EFE - 10.08.20

As inscrições para participar como voluntário dos testes da vacina contra a covid-19 da Pfizer no Cepic (Centro Paulista de Investigação Clínica), em São Paulo, ainda estão abertas. Diferentemente dos testes da vacina de Oxford e da Coronavac realizados no país, restritos a profissionais de saúde, os da vacina da Pfizer estão abertos à população. O principal critério é estar exposto ao vírus de alguma maneira, por exemplo, utilizar transporte público, segundo o Cepic.

As inscrições, que estavam previstas para terminar na última sexta-feira (7), foram prorrogadas devido à desistência de participantes. Segundo o Cepic, um dos detalhes do protocolo que determina que o voluntário não pode receber outra vacina contra a covid-19 em dois anos, período do estudo, tem afugentado os candidatos. Vale lembrar que o participante não saberá se está recebendo a vacina experimental ou placedo na pesquisa. 

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A Pfizer realiza testes em mil voluntários no Brasil desde 5 de agosto, sendo 500 no Cepic e 500 na instituição filantrópica Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), em Salvador. Metade dos participantes recebe a vacina experimental e a outra metade, placebo. 

A vacina da Pfizer, desenvolvida em parceria com a empresa alemã BioNTech, é considerada inovadora. É baseada no material genético, conhecido como RNA mensageiro. Ele carrega informações para que as células produzam proteína. No caso do novo coronavírus, forneceria instruções de como produzir a proteína spike, presente no vírus Sars-CoV-2, induzindo a resposta imunológica do corpo à covid-19. A empresa negocia a viabilidade da produção da vacina no país, segundo a Pfizer.

Durante a pesquisa, estão previstas duas doses de vacina, sendo a segunda 21 dias após a primeira. No caso dos testes no Brasil, a segunda dose será aplicada a partir de 26 de agosto. Voluntários receberão a primeira dose até 30 de agosto.

Os participantes serão acompanhados durantes dois anos, mas os resultados dos testes e a distribuição da vacina em massa pode ser feita antes desse período, segundo o Cepic.