Coronavírus

Saúde Covid: para especialistas, evento teste no Rio de Janeiro é arriscado

Covid: para especialistas, evento teste no Rio de Janeiro é arriscado

Para imunologista, pós-festa vai demandar fiscalização intensa e evento deve ter distanciamento social e uso de máscara

Prefeito pretende realizar carnaval fora de época após imunização em massa

Prefeito pretende realizar carnaval fora de época após imunização em massa

Reprodução/Freepik

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou nesta segunda-feira (14) que deve realizar, em setembro, um carnaval fora de época como evento teste na Ilha de Paquetá após a vacinação em massa da população local, que começa no próximo dia 20.

Especialistas ouvidos pelo R7 veem a proposta com apreensão. Para a imunologista Lorena de Castro Diniz, da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), o cenário atual ainda é de risco para este tipo de evento no país. “É bastante temerária uma ação dessa, nesse momento em que há um período de grande transmissibilidade do vírus”, afirma. 

A médica considera que as medidas de distanciamento e de proteção, como o uso de máscaras, devem ser seguidas durante a realização do evento e destaca que, apesar de protegerem contra casos graves da covid-19, as vacinas não têm 100% de eficácia e algumas pessoas ainda podem desenvolver a doença de forma leve e, em alguns casos, moderada.

“É necessária uma fiscalização bem intensa até do pós-festa. Por mais que a população seja imunizada, há um risco. Quem garantirá que essas pessoas não sairão da ilha, ou que ninguém de fora vai entrar? Elas não vão poder ter contato com o mundo externo”, afirma.

Além disso, ela ressalta que, mesmo vacinados, os infectados também podem transmitir o coronavírus e, no caso do evento, precisariam cumprir um período de quarentena após a realização.

O infectologista Carlos Lazar, professor da disciplina de moléstias infecciosas na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), avalia que para o evento ser considerado seguro, além do controle da entrada e saída da ilha, seria importante que a Prefeitura catalogasse a vacinação de toda a população local, para que os participantes do evento possam comprovar que estão vacinados.

“Verificar que as pessoas que vão à festa tenham obrigatoriamente um certificado de vacinação, como o registro da primeira e da segunda dose. E para que se possa ter um resultado adequado, essas pessoas todas deverão ser observadas [após o evento], para saber se vão desenvolver alguma doença. Então é um trabalho de fiscalização muito bem feito”, explica.

A imunologista lembra que a covid-19 ainda é uma doença nova para a comunidade científica e que nem todas as questões sobre ela foram desvendadas, como os fatores genéticos que podem levar até mesmo pessoas sem comorbidades a desenvolverem a doença de forma grave.

“Mesmo com a vacinação, as medidas protetivas não podem deixar de ser seguidas até que praticamente mais de 90% da população [do país] esteja vacinada e haja uma um controle da circulação do vírus. Vamos continuar vivendo com essas medidas ainda por muito tempo”, afirma.

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