'Desinformação atrapalhou combate ao coronavírus', diz Nise Yamaguchi

Em live promovida pelo IEJA, a oncologista lamentou a "absoluta dissintonia entre os poderes" no combate à pandemia

Nise Yamaguchi é oncologista, imunologista e pesquisadora

Nise Yamaguchi é oncologista, imunologista e pesquisadora

Reprodução/Faceboook

A oncologista, imunologista e pesquisadora científica Nise Yamaguchi afirmou nesta segunda-feira (29) que o ambiente de desinformação atrapalhou o combate à pandemia do novo coronavírus no Brasil.

"Essa situação de dificuldade de informação acabou atrapalhando a dinâmica do combate ao coronavírus. As pessoas tentaram se preparar em tempo recorde para suprir uma deficiência crônica de um sistema de saúde que não tinha UTIs e unidades de atendimento suficientes e acabaram destinando todos seus recursos para a covid-19 e deixaram outras áreas desatendidas", avaliou Nise em live promovida pelo IEJA (Instituto de Estudos Jurídicos Aplicados).

Nise ainda lamentou a o que classificou como uma "absoluta dissintonia entre os poderes" no combate à pandemia. "É um momento de haver uma movimentação sólida para que se consiga passar por essa pandemia de forma conjunta. Precisamos entender que somos uma nação, com todos participantes cientes de que devemos lutar em prol de um bem comum”, disse a oncologista, que vê atrasos na recomendação para o uso de máscaras e na forma de conduzir a crise.

Questionada pela ex-secretária geral do STF e presidente do IEJA, Fabiane Oliveira, sobre a dificuldade de atendimento a outras doenças com o avanço do coronavírus, Nise disse acreditar no potencial dos gestores e viu uma contribuição positiva das parcerias público-privadas.

De acordo com Nise os diferentes aspectos do Brasil, inclusive dentro de uma mesma cidade, tornam o isolamento social algo "impossível", principalmente para quem vive em áreas mais carentes.

Hidroxicloroquina

Ao comentar sobre o uso da hidroxicloroquina, Nise disse que o medicamento tem se mostrado eficiente no combate à covid-19 ao ser prescrito em doses baixas para pacientes na fase inicial da doença. "As doses utilizadas devem ser de uma utilização prática, de cinco dias, que está sendo mais utilizada em populações grandes", analisou.

A oncologista lamentou o estudo que classificou como "fraudulento" publicado pela LanceNet e disse que uma outra pesquisa com grande repercussão negativa sobre o uso da cloroquina, desenvolvido em Manaus, utilizou de doses muito altas do medicamente. "Tudo isso criou uma narrativa de desconstrução", afirmou ela.

Segundo Nise, a própria covid-19 causa arritmias os momentos mais graves e, por isso, o uso do medicamento não é recomendado nessa fase do tratamento. "Ela é extremamente útil nos pacientes antes de momentos mais graves", explicou.